quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CADERNO DE EXERCÍCIOS - PROFESSOR ODILON CUTI

Lista de exercícios de filosofia

Professor
Odilon Cuti – Filosofia

Questão 1) “Age de tal modo que a máxima de tua ação possa sempre valer como princípio universal de conduta” Imperativo categórico. (Immanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII).

Esta frase de Kant traduz os princípios fundamentais da ética kantiana e significa que:
Assinale a(as) alternativa(s) CORRETA(s):

a) devemos agir sempre pensando em nós mesmos, sem nos importar com os outros.
b) devemos sempre agir pensando nos outros, sem nos importar com nós mesmos.
c) nossa ação deve sempre estar fundamentada em nossos desejos, exclusivamente.
d) nossa ação deve ser racionalmente decidida, de forma que possa valer para todos e não apenas para nós mesmos.
e) nossa ação deve ser decidida instintivamente, de forma tal que valha tanto para nós mesmos como também para todos os outros.
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Questão 2) “As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarão deleitados se puderem encontrar uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses testes pelo menos tão bem quanto suas concorrentes, será eliminada”. (POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.).
Com base no texto e nos conhecimento sobre ciência e método científico, é CORRETO afirmar:
a) o método cientifico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos cruciais.
b) a crítica no meio científico significa o fracasso do cientista que formulou hipóteses incorretas.
c) o conflito de hipóteses científicas deve ser resolvido por quem as formulou, sem ajuda de outros cientistas.
d) o método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas.
e) a atitude crítica é um empecilho para o progresso científico.
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Questão 3) Considerando-se conhecimentos de lógica e de história da filosofia, analise os itens seguintes.

(i) Todos os médicos são mortais.
(ii) Platão, autor da República, é mortal.
(iii) Platão é um médico.

É CORRETO afirmar que o item (iii), no contexto acima, é:

a) uma proposição falsa.
b) um argumento silogístico.
c) um argumento válido.
d) uma proposição inválida.
e) um sofisma.
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Questão 4) Suponha que um jornalista econômico tenha escrito o seguinte comentário: “O ministro afirma que a economia vai bem, apesar da crise política. Mas ele não é um economista e, além do mais, tem interesse em apresentar uma imagem positiva do país aos investidores. Logo, não é verdade que a economia vai bem”.
Julgue os itens abaixo, relativos ao raciocínio apresentado pelo jornalista.
I É um exemplo de generalização apressada.
II É um argumento inválido.
III É uma falácia, não um argumento.
IV É um argumento ad hominem.
V É um exemplo de apelo à autoridade.

Estão CERTOS apenas os itens:
a) I e III.
b) II e IV.
c) II e V.
d) III e IV.
e) IV e V.
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Questão 5) Considere a seguinte frase: Se todo homem é mortal e Sócrates é homem, então Sócrates é mortal. Essa frase é:

I um argumento com premissas e conclusão verdadeiras.
II uma proposição com antecedente e consequente.
III um argumento condicional verdadeiro.
IV uma proposição condicional verdadeira.
V um argumento categórico verdadeiro.
Estão CERTOS apenas os itens:
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e IV.
d) II e V.
e) III e V.
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Questão 6) O existencialista não tem pejo em declarar que o homem é angústia. Significa isso: o homem ligado por um compromisso e que se dá conta de que não é apenas aquele que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si mesmo, a humanidade inteira, não poderia escapar do sentimento da sua total e profunda responsabilidade”. (Jean-Paul Sartre. O existencialismo é um humanismo. Coleção Os Pensadores.)
Tendo como referência esse texto, analise as asserções seguintes.
Para Sartre, dando-se conta de que suas escolhas repercutem além de si mesmo, envolvendo a humanidade inteira, o homem sente angústia,

porque

tem diante de si um compromisso que vai além de sua capacidade, pois nem mesmo suas escolhas individuais são livres, já que as contingências da vida determinam sua existência e sua essência.

Com base nas afirmativas acima, assinale a opção CORRETA.

a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
d) A primeira asserção é uma preposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
e) Tanto a primeira como a segunda asserções são proposições falsas.

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Questão 7) Considere o seguinte argumento:

A esmeralda E1 é verde.
A esmeralda E2 é verde.
A esmeralda En é verde.
Logo, a esmeralda En+1 é verde.

Esse argumento é:

I uma dedução, cujas premissas têm como conseqüência uma conclusão verdadeira.
II uma abdução, cuja conclusão explica aquilo que está enunciado nas premissas.
III uma indução, cujas premissas podem ser verdadeiras e a conclusão pode ser falsa.
IV um argumento cuja conclusão sempre preserva a suposta verdade das premissas.
V um argumento cuja conclusão não preserva a suposta verdade das premissas.
Estão CERTOS apenas os itens
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e V.
d) II e IV.
e) III e V.
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Questão 8) Pois, para que eu seja livre, não é necessário que eu seja indiferente na escolha de um ou de outro dos dois contrários; mas, antes, quanto mais eu pender para um, seja porque eu conheça evidentemente que o bom e o verdadeiro aí se encontrem, seja porque Deus disponha assim o interior do meu pensamento, tanto mais livremente o escolherei e o abraçarei, [...] pois, se eu conhecesse sempre claramente o que é verdadeiro e o que é bom,

nunca estaria em dificuldade para deliberar que juízo ou que escolha deveria fazer; e assim seria inteiramente livre sem nunca ser indiferente. (Descartes. Meditações. Coleção Os Pensadores.)

A partir desse texto, analise as asserções a seguir.


A criatura humana pode errar ao fazer determinadas escolhas

porque

sua vontade livre se estende às coisas que não entende.



Acerca das asserções acima, assinale a opção CORRETA.

a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é verdadeira.
e) As duas asserções são proposições falsas.

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Questão 09) Leia o seguinte trecho de um diálogo: (...)

Kobir: Porque, embora haja poucos motivos, se é que há algum, para supor que Deus existe, há algumas boas provas de que deve haver formas de vida extraterrestres.
Bob: Que provas? Não descobrimos vida em outros planetas.
Kobir: É verdade. Mas sabemos que a vida evoluiu aqui neste planeta, não sabemos? E também sabemos que há milhões de outros planetas no universo, muitos dos quais são bem semelhantes ao nosso. Nesse caso, não parece improvável que a vida deva ter evoluído pelo menos em um desses outros planetas também. Existem, portanto, boas provas para a existência de vida por lá. Só não temos provas conclusivas. Por outro lado, parece-me que há poucas provas, se é que há alguma, que sugiram que Deus existe (Arquivos filosóficos, de Stephen Law).


Assinale a alternativa INCORRETA.

a) Kobir propõe um argumento de tipo indutivo para a existência de vida em outros planetas no universo.
b) O argumento de Kobir pode admitir contra-exemplo.
c) Kobir refuta a afirmação da existência de Deus.
d) Kobir admite que uma boa prova não precisa ser dedutivamente válida.
e) Kobir não afirma que, se não existem provas para a existência de Deus, então Deus não existe.

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Questão 10) O helenismo é um período da história da filosofia que se caracteriza pela:
a) exclusividade que dá à dimensão prática da filosofia, em contraposição à dimensão investigativa das filosofias platônica e aristotélica.
b) importância que confere à lógica, à ética e à estética, como investigações necessárias para se alcançar a satisfação individual ou felicidade.
c) centralidade que atribui à ética, em meio a significativas teorizações sobre a natureza, em um momento de crescente desagregação da pólis grega.
d) valorização do indivíduo e sua ação, em detrimento da investigação lógica, fundamental em uma perspectiva como a de Aristóteles.
e) predominância de sistemas metafísicos voltados para a busca do bem comum, em oposição às perspectivas epistemológicas de Platão e Aristóteles.

Questão 11) Na literatura sobre ensino de filosofia, a idéia de "pensamento crítico" envolve, necessária e recorrentemente:

a) a denúncia da semiformação promovida pela sociedade do espetáculo.
b) a discussão sobre a própria presença da disciplina na escola.
c) amplo conhecimento da história da filosofia e dos problemas filosóficos.
d) relação com as experiências, demandas e interesses dos estudantes.
e) elaboração conceitual, procedimentos argumentativos e problematização.
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Questão 12)

Para Kant, a proposição de que toda mudança tem que ter uma causa é:
a) um juízo sintético e a priori.
b) um juízo analítico, puro e a priori.
c) uma regra e não propriamente um juízo.
d) uma proposição analítica, mas a posteriori.
e) uma antinomia da razão pura.

Gabarito:
01 D
02 A
03 A
04 B
05 C
06 C
07 E

Exercícios - Filosofia (O problema político)


1- (UEL – 2003) “Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer, um daqueles filósofos que, entre o século XVI e o XVIII (basicamente), afirmaram que a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato: os homens viveriam, naturalmente, sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de comércio social e de subordinação política.” (RIBEIRO, Renato Janine. Hobbes: o medo e a esperança. In: WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2000. p. 53.)

Com base no texto, que se refere ao contratualismo de Hobbes, considere as seguintes afirmativas:

I. A soberania decorrente do contrato é absoluta.
II. A noção de estado de natureza é imprescindível para essa teoria.
III. O contrato ocorre por meio da passagem do estado social para o estado político.
IV. O cumprimento do contrato independe da subordinação política dos indivíduos.
Quais das afirmativas representam o pensamento de Hobbes?

a) Apenas as afirmativas I e II.
b) Apenas as afirmativas I e III.
c) Apenas as afirmativas II e III.
d) Apenas as afirmativas II e IV.
e) Apenas as afirmativas III e IV.


2- (UEL – 2003) “A liberdade natural do homem deve estar livre de qualquer poder superior na terra e não depender da vontade ou da autoridade legislativa do homem, desconhecendo outra regra além da lei da natureza. A liberdade do homem na sociedade não deve estar edificada sob qualquer poder legislativo exceto aquele estabelecido por consentimento na comunidade civil...”

(LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o governo civil. Trad. de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis, RJ:Vozes, 1994. p. 95.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema da liberdade em Locke, considere as seguintes afirmativas:

I. No estado civil as pessoas são livres porque inexiste qualquer regra que limite sua ação.

II. No estado pré-civil a liberdade das pessoas está limitada pela lei da natureza.
III. No estado civil a liberdade das pessoas edifica-se nas leis estabelecidas pelo conjunto dos membros dessa sociedade.
IV. No estado pré-civil a liberdade das pessoas submete-se às leis estabelecidas pelos cidadãos.
Quais das afirmativas representam o pensamento de Locke sobre liberdade?

a) Apenas as afirmativas I e II.
b) Apenas as afirmativas I e IV.
c) Apenas as afirmativas II e III.
d) Apenas as afirmativas II e IV.
e) Apenas as afirmativas III e IV.

3- (UEL – 2003) Leia o texto a seguir.

Estado Violência
Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria
Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria (...)
(TITÃS. Estado Violência. In: Cabeça dinossauro. [S.L.] WEA, 1986, 1 CD (ca. 35’97”). Faixa 5 (3’07”).)

A letra da música “Estado Violência”, dos Titãs, revela a percepção dos autores sobre a relação entre o indivíduo e o poder do Estado. Sobre a canção, é correto afirmar:

a) Mostra um indivíduo satisfeito com a sua situação e que apóia o regime político instituído.
b) Representa um regime democrático em que o indivíduo participa livremente da elaboração das leis.
c) Descreve uma situação em que inexistem conflitos entre o Estado e o indivíduo.
d) Relata os sentimentos de um indivíduo alienado e indiferente à forma como o Estado elabora suas leis.
e) Apresenta um indivíduo para quem o Estado, autoritário e violento, é indiferente a sua vontade.


4- (UEL – 2004) “O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não possui um fim próprio de utilidade e não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.” (BOBBIO, Norberto. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. Trad. de Alfredo Fait. 3.ed. Brasília: Editora da UNB, 1984. p. 14.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, para Maquiavel o poder político é:

a) Independente da moral e da religião, devendo ser conduzido por critérios restritos ao âmbito político.
b) Independente da conveniência e oportunidade, pois estas dizem respeito à esfera privada da vida em sociedade.
c) Dependente da religião, devendo ser conduzido por parâmetros ditados pela Igreja.
d) Dependente da ética, devendo ser orientado por princípios morais válidos universal e necessariamente.
e) Independente das pretensões dos governantes de realizar os interesses do Estado.


5- (UEL – 2004) “Não sendo o Estado ou a Cidade mais que uma pessoa moral, cuja vida consiste na união de seus membros, e se o mais importante de seus cuidados é o de sua própria conservação, torna-se-lhe necessária uma força universal e compulsiva para mover e dispor cada parte da maneira mais conveniente a todos.
Assim como a natureza dá a cada homem poder absolutosobre todos os seus membros, o pacto social dá ao corpo político um poder absoluto sobre todos os seus, e é esse mesmo poder que, dirigido pela vontade geral, ganha, como já disse, o nome de soberania.” (ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Trad. de Lourdes Santos Machado. 3.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1994. p. 48.)

De acordo com o texto e os conhecimentos sobre os conceitos de Estado e soberania em Rousseau, é correto afirmar.

a) A soberania surge como resultado da imposição da vontade de alguns grupos sobre outros, visando a conservar o poder do Estado.
b) O estabelecimento da soberania está desvinculado do pacto social que funda o Estado.
c) O Estado é uma instituição social dependente da vontade impositiva da maioria, o que configura a democracia.
d) A conservação do Estado independe de uma força política coletiva que seja capaz de garanti-lo.
e) A soberania é estabelecida como poder absoluto orientado pela vontade geral e legitimado pelo pacto social para garantir a conservação do Estado.


6- (UEL – 2003) “... os traços pelos quais a democracia é considerada forma boa de governo são essencialmente os seguintes: é um governo não a favor dos poucos mas dos muitos; a lei é igual para todos, tanto para os ricos quanto para os pobres e portanto é um governo de leis, escritas ou não escritas, e não de homens; a liberdade é respeitada seja na vida privada seja na vida pública, onde vale não o fato de se pertencer a este ou àquele partido mas o mérito.” (BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral da política. Trad. de Marco Aurélio Nogueira. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. p.141.)





Com base no texto, considere as seguintes afirmativas sobre os direitos fundamentais da democracia grega.

I. Todos os cidadãos submetem-se a uma elite, formada pelos ricos, que governa privilegiando seus interesses particulares.
II. Todos os cidadãos possuem os mesmos direitos e devem ser tratados da mesma maneira, perante as leis e os costumes da pólis.
III. Todo cidadão tem a liberdade de expor, na assembléia, seus interesses e suas opiniões, discutindo-os com os outros.
IV. Todo cidadão deve pertencer a um partido para que suas opiniões sejam respeitadas.
Assinale a alternativa correta.



a) Apenas as afirmativas I e II são corretas.
b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III são corretas.
d) Apenas as afirmativas II e IV são corretas.
e) Apenas as afirmativas III e IV são corretas.


7- (UEL – 2003) “Toda cidade [pólis], portanto, existe naturalmente, da mesma forma que as primeiras comunidades; aquela é o estágio final destas, pois a natureza de uma coisa é seu estágio final. (...) Estas considerações deixam claro que a cidade é uma criação natural, e que o homem é por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade.” (ARISTÓTELES. Política. 3. ed. Trad. De Mário da Gama Kuri. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1997. p. 15.)

De acordo com o texto de Aristóteles, é correto afirmar que a pólis:
a) É instituída por uma convenção entre os homens.
b) Existe por natureza e é da natureza humana buscar a vida em sociedade.
c) Passa a existir por um ato de vontade dos deuses, alheia à vontade humana.
d) É estabelecida pela vontade arbitrária de um déspota.
e) É fundada na razão, que estabelece as leis que a ordenam.


8- (UEL – 2003) Leia o texto, que se refere à idéia de cidade justa de Platão. “Como a temperança, também a justiça é uma virtude comum a toda a cidade. Quando cada uma das classes exerce a sua função própria, ‘aquela para a qual a sua natureza é a mais adequada’, a cidade é justa. Esta distribuição de tarefas e competências resulta do fato de que cada um de nós não nasceu igual ao outro e, assim, cada um contribui com a sua parte para a satisfação das necessidades da vida individual e coletiva. (...) Justiça é, portanto, no indivíduo, a harmonia das partes da alma sob o domínio superior da razão; no estado, é a harmonia e a concórdia das classes da cidade.” (PIRES, Celestino. Convivência política e noção tradicional de justiça. In: BRITO, Adriano N. de; HECK, José N. (Orgs.). Ética e política. Goiânia: Editora da UFG, 1997. p. 23.)

Sobre a cidade justa na concepção de Platão, é correto afirmar:

a) Nela todos satisfazem suas necessidades mínimas, e inexistem funções como as de governantes, legisladores e juízes.
b) É governada pelos filósofos, protegida pelos guerreiros e mantida pelos produtores econômicos, todos cumprindo sua função própria.
c) Seus habitantes desejam a posse ilimitada de riquezas, como terras e metais preciosos.
d) Ela tem como principal objetivo fazer a guerra com seus vizinhos para ampliar suas posses através da conquista.
e) Ela ambiciona o luxo desmedido e está cheia de objetos supérfluos, tais como perfumes, incensos, iguarias, guloseimas, ouro, marfim, etc.

9- (UEL – 2004) Observe a charge e leia o texto a seguir.
Fonte: LAERTE. Classificados. São Paulo: Devir, 2001. p. 25.

“É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem [...].” (ARISTÓTELES. A política. Trad. de Nestor Silveira Chaves. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 13.)

Com base no texto de Aristóteles e na charge, é correto afirmar:

a) O texto de Aristóteles confirma a idéia exposta pela charge de que a condição humana de ser político é artificial e um obstáculo à liberdade individual.
b) A charge apresenta uma interpretação correta do texto de Aristóteles segundo a qual a política é uma atividade nociva à coletividade devendo seus representantes serem afastados do convívio social.
c) A charge aborda o ponto de vista aristotélico de que a dimensão política do homem independe da convivência com seus semelhantes, uma vez que o homem bastasse a si próprio.

d) A charge, fazendo alusão à afirmação aristotélica de que o homem é um animal político por natureza, sugere uma crítica a um tipo de político que ignora a coletividade privilegiando interesses particulares e que, por isso, deve ser evitado.
e) Tanto a charge quanto o texto de Aristóteles apresentam a idéia de que a vida em sociedade degenera o homem, tornando-o um animal.

10- (UEL – 2004) “Uma vez que constituição significa o mesmo que governo, e o governo é o poder supremo em uma cidade, e o mando pode estar nas mãos de uma única pessoa, ou de poucas pessoas, ou da maioria, nos casos em que esta única pessoa, ou as poucas pessoas, ou a maioria, governam tendo em vista o bem comum, estas constituições devem ser forçosamente as corretas; ao contrário, constituem desvios os casos em que o governo é exercido com vistas ao próprio interesse da única pessoa, ou das poucas pessoas, ou da maioria, pois ou se deve dizer que os cidadãos não participam do governo da cidade, ou é necessário que eles realmente participem.” (ARISTÓTELES. Política. Trad. de Mário da Gama Kury. 3.ed. Brasília: Editora UNB, 1997. p. 91.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre as formas de governo em Aristóteles, analise as afirmativas a seguir.
I. A democracia é uma forma de governo reta, ou seja, um governo que prioriza o exercício do poder em benefício do interesse comum.
II. A democracia faz parte das formas degeneradas de governo, entre as quais destacam-se a tirania e a oligarquia.
III. A democracia é uma forma de governo que desconsidera o bem de todos; antes, porém, visa a favorecer indevidamente os interesses dos mais pobres, reduzindo-se, desse modo, a uma acepção demagógica.
IV. A democracia é a forma de governo mais conveniente para as cidades gregas, justamente porque realiza o bem do Estado, que é o bem comum.

Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.

11- (UEL – 2005) “- Mas a cidade pareceu-nos justa, quando existiam dentro dela três espécies de naturezas, que executavam cada uma a tarefa que lhe era própria; e, por sua vez, temperante, corajosa e sábia, devido a outras disposições e qualidades dessas mesmas espécies.
- É verdade.
- “Logo, meu amigo, entenderemos que o indivíduo, que tiver na sua alma estas mesmas espécies, merece bem, devido a essas mesmas qualidades, ser tratado pelos mesmos nomes que a cidade”. (PLATÃO. A república. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 7 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993. p. 190.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a justiça em Platão, é correto afirmar:

a) As pessoas justas agem movidas por interesses ou por benefícios pessoais, havendo a possibilidade de ficarem invisíveis aos olhos dos outros.
b) A justiça consiste em dar a cada indivíduo aquilo que lhe é de direito, conforme o princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos, homens e mulheres.
c) A verdadeira justiça corresponde ao poder do mais forte, o qual, quando ocupa cargos políticos, faz as leis de acordo com os seus interesses e pune a quem lhe desobedece.
d) A justiça deve ser vista como uma virtude que tem sua origem na alma, isto é, deve habitar o interior do homem, sendo independente das circunstâncias externas.
e) Ser justo equivale a pagar dívidas contraídas e restituir aos demais aquilo que se tomou emprestado, atitudes que garantem uma velhice feliz.

12- (UEL – 2005) “A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância: os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar. A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de reconhecer a capacidade e manter fidelidade. Mas quando a situação é oposta, pode-se sempre dele fazer mau juízo, porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores”. (MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Trad. de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2004. p. 136.)


Com base no texto e nos conhecimentos sobre Maquiavel, é correto afirmar:
a) As atitudes do príncipe são livres da influência dos ministros que ele escolhe para governar.
b) Basta que o príncipe seja bom e virtuoso para que seu governo obtenha pleno êxito e seja reconhecido pelo povo.
c) O povo distingue e julga, separadamente, as atitudes do príncipe daquelas de seus ministros.
d) A escolha dos ministros é irrelevante para garantir um bom governo, desde que o príncipe tenha um projeto político perfeito.
e) Um príncipe e seu governo são avaliados também pela escolha dos ministros.


13- (UEL – 2005) “Hobbes realiza o esforço supremo de atribuir ao contrato uma soberania absoluta e indivisível [...]. Ensina que, por um único e mesmo ato, os homens naturais constituem-se em sociedade política e submetem-se a um senhor, a um soberano. Não firmam contrato com esse senhor, mas entre si. É entre si que renunciam, em proveito desse senhor, a todo o direito e toda liberdade nocivos à paz”. (CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. Trad. de Lydia Cristina. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995. p. 73.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato político em Hobbes, considere as afirmativas a seguir.

I. A renúncia ao direito sobre todas as coisas deve ser recíproca entre os indivíduos.

II. A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.

III. Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.

IV. O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.

Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

14- (UEL – 2005) “Se todos os homens são, como se tem dito, livres, iguais e independentes por natureza, ninguém pode ser retirado deste estado e se sujeitar ao poder político de outro sem o seu próprio consentimento. A única maneira pela qual alguém se despoja de sua liberdade natural e se coloca dentro das limitações da sociedade civil é através do acordo com outros homens para se associarem e se unirem em uma comunidade para uma vida confortável, segura e pacífica uns com os outros, desfrutando com segurança de suas propriedades e melhor protegidos contra aqueles que não são daquela comunidade”. (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Trad. de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis: Vozes, 1994. p.139.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato social em Locke, considere as afirmativas a seguir.
I. O direito à liberdade e à propriedade são dependentes da instituição do poder político.
II. O poder político tem limites, sendo legítima a resistência aos atos do governo se estes violarem as condições do pacto político.
III. Todos os homens nascem sob um governo e, por isso, devem a ele submeter-se ilimitadamente.
IV. Se o homem é naturalmente livre, a sua subordinação a qualquer poder dependerá sempre de seu consentimento.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.


15- (UEL – 2005) “O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!’”. (ROUSSEAU, Jean- Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1997. p. 87.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento político de Rousseau, é correto afirmar:



a) A desigualdade é um fato natural, autorizada pela lei natural, independentemente das condições sociais decorrentes da evolução histórica da humanidade.
b) A finalidade da instituição da sociedade e do governo é a preservação da individualidade e das diferenças sociais.
c) A sociabilidade tira o homem do estado de natureza onde vive em guerra constante com os outros homens.
d) Rousseau faz uma crítica ao processo de socialização, por ter corrompido o homem, tornando-o egoísta e mesquinho para com os seus semelhantes.
e) Rousseau valoriza a fundação da sociedade civil, que tem como objetivo principal a garantia da posse privada da terra.


16- (UEL – 2005) “As instâncias do Poder, que os cidadãos acreditavam terem instalado democraticamente, estão, sob o peso da crítica, em vias de perder sua identidade. A opinião não lhes confere mais o certificado de conformidade que a legitimidade deles exige. Jürgen Habermas [...] vê nessa situação ‘um problema de regulação’. A opinião pública, abalada em suas crenças mais firmes, não dá mais sua adesão às regulações que o direito constitucional ou, mais amplamente, o direito positivo do Estado formaliza”. (GOYARD-FABRE, Simone. O que é democracia?. Trad. de Cláudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 202-203.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre os Estados Democráticos de Direito na contemporaneidade, é correto afirmar:
a) A atual identidade das instâncias do poder é confirmada pela “crítica”.
b) Legalidade e legitimidade das instâncias de poder são coincidentes nos Estados Democráticos de Direito.
c) A regulação das instituições de poder deve ser independente da opinião pública.
d) A legitimidade das instâncias de poder deve ser baseada no direito positivo.
e) A opinião pública é que deve dar legitimidade às instâncias de poder.


17- (UEL – 2006) Analise a imagem e leia o texto a seguir.


Mobilização pelas “Diretas já”, Praça da Sé, São Paulo.


“Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nem nada menos que pelo direito de administrar a justiça e exercer funções públicas [...].” (ARISTÓTELES. Política. Trad. Mário da Gama Kury. 3. ed. Brasília: UNB, 1997. p. 78.)

Tendo como base o conceito de cidadania de Aristóteles, é correto afirmar que o fato político retratado na imagem:

a) Confirma o ideal aristotélico de cidadão como aquele que se submete passivamente a uma autoridade coercitiva e ilimitada.
b) Ilustra o conceito que Aristóteles construiu de cidadãos como aqueles que estão separados em três classes, sendo que uma delas governa, de modo absoluto, as demais.
c) Manifesta contradição com a concepção de liberdade e de manifestação pública presente no exercício da cidadania grega, ao revelar uma campanha submissa e tutelada pela minoria.
d) Mostra o ideário aristotélico de cidade e de cidadania, que exalta o individualismo e a supremacia do privado em detrimento do público.
e) Caracteriza um exemplo contemporâneo de participação que demonstra o debate de assuntos públicos, assim como faziam os cidadãos livres de Atenas.


18- (UEL – 2006) “O direito de natureza, a que os autores geralmente chamam de jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida; e conseqüentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a esse fim.” (HOBBES, Thomas. Leviatã. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 82.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o Estado de natureza em Hobbes, considere as afirmativas a seguir.

I. Todos os homens são igualmente vulneráveis à violência diante da ausência de uma autoridade soberana que detenha o uso da força.
II. Em cada ser humano há um egoísmo na busca de seus interesses pessoais a fim de manter a própria sobrevivência.
III. A competição e o desejo de fama passam a existir nos homens quando abandonam o Estado de natureza e ingressam no Estado social.
IV. O homem é naturalmente um ser social, o que lhe garante uma vida harmônica entre seus pares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.

19- (UEL – 2006) “[...] é preciso que examinemos a condição natural dos homens, ou seja, um estado em que eles sejam absolutamente livres para decidir suas ações, dispor de seus bens e de suas pessoas como bem entenderem, dentro dos limites do direito natural, sem pedir autorização de nenhum outro homem nem depender de sua vontade.” (LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o governo civil. Trad. Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 83.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o estado de natureza em Locke, é correto afirmar:

a) Os homens desconhecem a noção de justiça, pelo fato de inexistir um direito natural que assegure a idéia do “meu” e do “teu”.
b) É constituído pela inimizade, maldade, violência e destruição mútua, características inerentes ao ser humano.
c) Baseia-se em atos de agressão física, o que gera insegurança coletiva na manutenção dos direitos privados.
d) Pauta-se pela tripartição dos poderes como forma de manter a coesão natural e respeitosa entre as pessoas.
e) Constitui-se de uma relativa paz, que inclui a boa vontade, a preservação e a assistência mútua.


20- (UEL – 2006) Tendo por base a concepção de contrato social em Locke, considere as afirmativas a seguir.

I. Os homens firmam entre si um pacto de submissão, por meio do qual transferem a um terceiro o poder de coerção, trocando a condição de desigualdade do Estado de Natureza pela segurança e liberdade do Estado social.
II. Os homens firmam um pacto de consentimento, no qual concordam livremente em formar a sociedade para preservar e consolidar os direitos que possuíam originalmente no Estado de natureza.
III. O exercício legítimo da autoridade, no Estado social, baseia-se na teoria do direito divino, em que os monarcas, herdeiros dos patriarcas, são representantes diretos que garantem o contrato social.
IV. O que leva os homens a se unirem e estabelecerem livremente entre si o contrato social é a falta de lei estabelecida, de juiz imparcial e de uma força coercitiva para impor a execução das sentenças.

Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

21- (UEL – 2006) “[...] Somente ordenamentos políticos podem ter legitimidade e perdê-la; somente eles têm necessidade de legitimação. [...] dado que o Estado toma a si a tarefa de impedir a desintegração social por meio de decisões obrigatórias, liga-se ao exercício do poder estatal a intenção de conservar a sociedade em sua identidade normativamente determinada em cada oportunidade concreta. De resto, é esse o critério para mensurar a legitimidade do poder estatal, o qual – se pretende durar – deve ser reconhecido como legítimo.” (HABERMAS, Jürgen. Para a reconstrução do Materialismo Histórico. 2. ed. Trad. Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 219-221.)

Com base no texto, é correto afirmar que a legitimidade do Estado em Habermas:

a) É uma necessidade que se impõe por meio da vontade do soberano, pois este é o único capaz de dispor de garantias sociais para todos.
b) Reside na preservação da identidade da sociedade como forma de assegurar a integração social.
c) É uma exigência que, uma vez conquistada, adquire perenidade sem se exaurir ao longo da história.
d) É atingida pelo uso do poder econômico ou da força bélica, elementos esses que podem se perder facilmente.
e) Conta de forma imprescindível com os parâmetros da vontade divina no estabelecimento de valores comumente vivenciados.

22- (UEL – 2006) “Um povo, portanto, só será livre quando tiver todas as condições de elaborar suas leis num clima de igualdade, de tal modo que a obediência a essas mesmas leis signifique, na verdade, uma submissão à deliberação de si mesmo e de cada cidadão, como partes do poder soberano. Isto é, uma submissão à vontade geral e não à vontade de um indivíduo em particular ou de um grupo de indivíduos.” (NASCIMENTO, Milton Meira. Rousseau: da servidão à liberdade. In: WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2000. p. 196.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a legitimidade do poder do Estado em Rousseau, é correto afirmar:

a) A legislação que rege o Estado deve ser elaborada por um indivíduo escolhido para tal e que se tornará o soberano desse Estado.
b) A liberdade de uma nação é ameaçada quando se confere ao povo o direito de discutir a legitimidade das leis às quais está submetido.
c) Devido à ignorância e ao atraso do povo, devesse atribuir a especialistas competentes o papel de legisladores.
d) A legitimidade das leis depende de que as mesmas sejam elaboradas pelo conjunto dos cidadãos, expressão da liberdade do povo.
e) A vontade do monarca, cujo poder é assegurado pela hereditariedade, deve prevalecer na elaboração das leis às quais se submetem os cidadãos.


23- (UEL – 2007) Leia o texto a seguir.

“Dado que todo súdito é por instituição autor de todos os atos e decisões do soberano instituído, segue-se que nada do que este faça pode ser considerado injúria para com qualquer de seus súditos, e que nenhum deles pode acusá-lo de injustiça”. Fonte: HOBBES, T. Leviatã, ou, Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 109.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contratualismo de Hobbes, é correto afirmar:
a) O soberano tem deveres contratuais com os seus súditos.
b) O poder político tem como objetivo principal garantir a liberdade dos indivíduos.
c) Antes da instituição do poder soberano, os homens viviam em paz.
d) O poder soberano não deve obediência às leis da natureza.
e) Acusar o soberano de injustiça seria como acusar a si mesmo de injustiça.

24- (UEL – 2007) “Deveis saber, portanto, que existem duas formas de se combater: uma, pelas leis, outra, pela força. A primeira é própria do homem; a segunda, dos animais. [...] Ao príncipe torna-se necessário, porém, saber empregar convenientemente o animal e o homem. [...] Sendo, portanto, um príncipe obrigado a bem servir-se da natureza da besta, deve dela tirar as qualidades da raposa e do leão, pois este não tem defesa alguma contra os laços, e a raposa, contra os lobos. Precisa, pois, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Os que se fizerem unicamente de leões não serão bem-sucedidos. Por isso, um príncipe prudente não pode nem deve guardar a palavra dada quando isso se lhe torne prejudicial e quando as causas que o determinaram cessem de existir”. Fonte: MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Tradução de Lívio Xavier. São Paulo: Nova Cultural, 1993, cap, XVIII, p.101-102.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre O Príncipe de Maquiavel, assinale a alternativa correta:



a) Os homens não devem recorrer ao combate pela força porque é suficiente combater recorrendo-se à lei.
b) Um príncipe que interage com os homens, servindo-se exclusivamente de qualidades morais, certamente terá êxito em manter-se no poder.
c) O príncipe prudente deve procurar vencer e conservar o Estado, o que implica o desprezo aos valores morais.
d) Para conservar o Estado, o príncipe deve sempre partir e se servir do bem.
e) Para a conservação do poder, é necessário admitir a insuficiência da força representada pelo leão e a importância da habilidade da raposa.

25- (UEL – 2007) “E justiça é aquilo em virtude do qual se diz que o homem justo pratica, por escolha própria, o que é justo, e que distribui, seja entre si mesmo e um outro, seja entre dois outros, não de maneira a dar mais do que convém a si mesmo e menos ao seu próximo (e inversamente no relativo ao que não convém), mas de maneira a dar o que é igual de acordo com a proporção; e da mesma forma quando se trata de distribuir entre duas outras pessoas”. Fonte: ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 89.

De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a justiça em Aristóteles, é correto afirmar:

a) É possível que um homem aja injustamente sem ser injusto.
b) A justiça é uma virtude que não pode ser considerada um meio-termo.
c) A justiça corretiva deve ser feita de acordo com o mérito.
d) Os partidários da democracia identificam o mérito com a excelência moral.
e) Os partidários da aristocracia identificam o mérito com a riqueza.


26- (UEL – 2007) “A passagem do estado de natureza para o estado civil determina no homem uma mudança muito notável, substituindo na sua conduta o instinto pela justiça e dando às suas ações a moralidade que antes lhe faltava. E só então que, tomando a voz do dever o lugar do impulso físico, e o direito o lugar do apetite, o homem, até aí levando em consideração apenas sua pessoa, vê-se forçado a agir, baseando-se em outros princípios e a consultar a razão antes de ouvir suas inclinações”. Fonte: ROUSSEAU, J. Do contrato social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.77.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contratualismo de Rousseau, assinale a alternativa correta:
a) Por meio do contrato social, o homem adquire uma liberdade natural e um direito ilimitado.
b) O homem no estado de natureza é verdadeiramente senhor de si mesmo.
c) A obediência à lei que se estatui a si mesmo é liberdade.
d) A liberdade natural é limitada pela vontade geral.
e) Os princípios, que dirigem a conduta dos homens no estado civil, são os impulsos e apetites.


27- (UEL – 2008) Para Hobbes, [...] o poder soberano, quer resida num homem, como numa monarquia, quer numa assembléia, como nos estados populares e aristocráticos, é o maior que é possível imaginar que os homens possam criar. E, embora seja possível imaginar muitas más conseqüências de um poder tão ilimitado, apesar disso as conseqüências da falta dele, isto é, a guerra perpétua de todos homens com os seus vizinhos, são muito piores. (HOBBES, T. Leviatã. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988. capítulo XX, p. 127.)

Com base na citação e nos conhecimentos sobre a filosofia política de Hobbes, assinale a alternativa correta.
a) Os Estados populares se equiparam ao estado natural, pois neles reinam as confusões das assembléias.
b) Nos Estados aristocráticos, o poder é limitado devido à ausência de um monarca.
c) O poder soberano traz más conseqüências, justificando-se assim a resistência dos súditos.
d) As vantagens do estado civil são expressivamente superiores às imagináveis vantagens de um estado de natureza.
e) As conseqüências do poder soberano são indesejáveis, pois é possível a sociabilidade sem Estado.


28- (UEL – 2008) Leia a citação a seguir.

Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. (ROUSSEAU, J. J. Do contrato social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 32. Os Pensadores.)

Com base na citação acima e nos conhecimentos sobre o pensamento político de Rousseau, considere as seguintes afirmativas.

I. O contrato social só se torna possível havendo concordância entre obediência e liberdade.
II. A liberdade conquistada através do contrato social é uma liberdade convencional.
III. Por meio do contrato social, os indivíduos perdem mais do que ganham.
IV. A liberdade conquistada através do contrato social é a liberdade natural.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas, mencionadas anteriormente.

a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.









29- (UEM – Inverno 2008) Marx defende as liberdades políticas individuais, todavia opõe-se ao liberalismo e à concepção do Estado burguês. A restrição que Marx faz ao Estado de direito burguês é que esse Estado acaba representando os interesses das classes sociais dominantes, o que torna impossível defender os fins universais da sociedade no seu todo. Assinale o que for correto.

01) Marx considera que a realização da liberdade humana e a emancipação do homem só podem realizar-se para além do formalismo jurídico do Estado burguês. A verdadeira liberdade e emancipação só podem acontecer quando a esfera da produção estiver sob o controle dos produtores diretos, isto é, os trabalhadores.

02) Para o materialismo histórico, as relações sociais de produção são responsáveis pela formação do Estado que Marx considera como sendo a superestrutura jurídica e política da sociedade.

04) O progresso tecnológico e o desenvolvimento econômico, ao permitirem uma melhor distribuição da renda, são considerados por Marx condições essenciais para acabar com o Estado burguês e com a sociedade de classes.

08) Para Marx, a liberdade deve ser universal, isto é, para todos os homens; razão pela qual só pode realizar-se com o fim da sociedade de classes.

16) Para Marx, o Estado burguês sustenta uma economia de mercado em que tudo pode transformar-se em mercadoria, inclusive o trabalho que pode ser comprado e vendido como qualquer mercadoria; nesse processo, o trabalho e o homem alienam-se.


30- (UEM – Inverno 2008) O nacional-socialismo alemão e o fascismo italiano foram doutrinas e práticas políticas totalitárias. O totalitarismo caracteriza-se por estabelecer um Estado total, monolítico, que absorve, em seu interior, em sua organização, o todo da sociedade e suas instituições, controlando-a por inteiro; elimina, dessa maneira, a participação política pluralista. Tanto na Alemanha quanto na Itália, alguns filósofos contribuíram com a formação da ideologia do nazifascismo ou a ela se opuseram.

Assinale o que for correto.

01) Friedrich Nietzsche, com sua filosofia política, preconiza uma sociedade coletivista dirigida por um Estado nacional forte, capaz de valorizar a tradição dos valores culturais alemães.

02) Na Alemanha, a marxista Rosa Luxemburgo, defensora da social-democracia, criticava a formação de um partido único cuja conseqüência seria a formação de um governo ditatorial de uma minoria. Combateu o que já se prenunciava com a ascensão do nazismo ao poder.

04) A resistência do teórico marxista Antônio Gramsci ao regime fascista valeu-lhe longos anos de cadeia. Mesmo no cárcere, escreveu muito, criticando o dogmatismo do marxismo oficial que, ao petrificar a teoria, impedia a prática revolucionária.

08) Friedrich Hegel foi importante para o desenvolvimento do pensamento político. Seus seguidores dividiram-se em dois grupos opostos, chamados de esquerda e de direita hegeliana.

16) Benedito Mussolini e Adolf Hitler aceitaram a crítica marxista ao liberalismo, mas ambos recusavam a idéia de uma revolução proletária.


31- (UEM – Inverno 2008) Há uma diferença fundamental entre a concepção da democracia concebida pelos pensadores modernos, que combateram o Antigo Regime com a Revolução Francesa, e a democracia concebida pela

Antiguidade Clássica grega em Atenas. Essa diferença caracteriza-se, entre outras coisas, pela maneira de articular a relação entre a esfera pública e a esfera privada da sociedade.

Assinale o que for correto.

01) A democracia ateniense era limitada, pois impedia o acesso à esfera pública de um grande contingente da população, composto pelas mulheres, pelos escravos e pelos estrangeiros, todos eles relegados à vida privada.

02) O homem grego realizava-se como cidadão participando da esfera pública, era nela que adquiria notoriedade e podia afirmar sua individualidade como homem livre.

04) Na esfera pública, a relação entre os cidadãos era regida pelo princípio de igualdade diante da lei e do igual direito à palavra. Os cidadãos formavam uma assembléia em que a prática da violência estava excluída. Na esfera privada, esses princípios eram negados.

08) Benjamin Constant (1776-1830), ao conceber um sistema de governo fundamentado na representatividade, pretendia resolver, no Estado moderno, as relações entre a esfera privada e a esfera pública, dando ao cidadão a liberdade de participar diretamente da esfera pública ou de delegar essa prerrogativa para dedicar-se exclusivamente aos negócios da vida privada.

16) A república democrática representativa – que deveria, em princípio, ampliar a liberdade política por permitir ao cidadão escolher entre a dedicação à vida privada ou à vida pública – apresentou inicialmente um caráter de exclusão sociopolítica semelhante à da democracia ateniense. Isso se considerar que, em duas das maiores potências mundiais, isto é, na França e na Inglaterra, as mulheres alcançaram plena cidadania pelo sufrágio universal só depois da Segunda Guerra Mundial.


32- (UEM – Verão 2008) Maquiavel inaugura o pensamento político moderno. Seculariza a política, rejeitando o legado ético-cristão. Maquiavel tem uma visão do homem e da política como elas são e não como deveriam ser. A política deve ater-se ao real, deve preocupar-se com a eficiência da ação e não teorizar, como fazia Platão, sobre a forma ideal de governo.

Assinale o que for correto.

01) Para Maquiavel, o príncipe virtuoso é aquele que governa com justiça, estabelecendo, entre seus súditos, a igualdade social e uma participação político-democrática.

02) Maquiavel redefine as relações entre ética e política, não julga mais as ações políticas em função de uma hierarquia de valores dada de antemão, mas em função da necessidade dos resultados que as ações políticas devem alcançar.

04) Maquiavel faz a apologia da tirania, pois considera ser a forma mais eficiente de o príncipe manter-se no poder e garantir a segurança da ordem social e política para seus súditos.

08) Na concepção política de Maquiavel, não há uma exclusão entre ética e política, todavia a primeira deve ser entendida a partir da segunda. Para ele, as exigências da ação política implicam uma ética cujo caráter é diferente da ética praticada pelos indivíduos na vida privada.

16) Para Maquiavel, a sociedade é dividida entre os grandes, isto é, os que possuem o poder político e econômico, e o povo oprimido. A sociedade é cindida por lutas sociais, não pode, portanto, ser vista como uma comunidade homogênea voltada para o bem comum.


Gabarito:

1-A 2-C 3-E 4-A 5-E 6-C 7-B 8-B 9-D 10-C 11-D 12-E 13-B 14-C 15-D 16-E 17-E 18-A 19-E 20-C 21-B 22-D 23-E 24-E 25-A 26-C 27-D 28-A

29- Resposta: 27

Alternativa (s) correta (s): 01-02-08-16

30- Resposta: 30

Alternativa (s) correta (s): 02-04-08-16
31- Resposta: 31
Alternativa (s) correta (s): 01-02-04-08-16
32- Resposta: 26
Alternativa (s) correta (s): 02-08-16


Exercícios resolvidos

É correto afirmar que Platão teve importância periférica na Filosofia?
a) Sim, e isso se torna evidente com a Filosofia Moderna.
b) Sim, e isso se torna evidente com a Filosofia Contemporânea.
c) Não. Platão foi uma das bases da Filosofia.
Resposta: C

Explicação da resposta:
Platão teve importância central. Escreveu diálogos filosóficos, fundou a primeira escola de ensino superior que o mundo conheceu, em Atenas; seus trabalhos foram decisivos na construção da Filosofia tal qual a conhecemos.

É certo que Platão era um apelido que o filósofo ganhou?
a) Sim, é muito provável.
b) Platão era nome da família.
c) outra resposta.
Resposta: A

Explicação da resposta:
Historiadores e filósofos acreditam que o nome era Arístocles; Platão foi um apelido. Uma referência à sua característica física, como os largos ombros.Há uma possibilidade deste apelido também estar relacionado à capacidade mental deste homem de tratar de assuntos diversos e distantes.

É correto afirmarmos que Platão nunca encontrou Sócrates pessoalmente?
a) Sim. Nunca se encontraram.
b) Tiveram apenas dois encontros.
c) Platão foi aluno de Sócrates e o via seguidamente.
Resposta: C
Explicação da resposta:
Tudo indica que Platão encontrou Sócrates quando tinha em torno de 20 anos. A partir daí nunca mais se separou de seu mestre.



Platão era oriundo de uma família pobre de agricultores?
a) Não. Era membro de uma família rica ligada à política.
b) Sim, família pobre da Trácia.
c) outra resposta

Resposta:
A Explicação da resposta:
A família de Platâo era influente em Atenas, tinha posses; Péricles era parente de Platão.

É verdade que existem as doutrinas não escritas, coisas que Platão somente falou a iniciados e que nunca escreveu?
a) Isso não é verdade.
b) Aconteceu e era um dos cuidados que Platão tinha ao ensinar.
c) Não é verdade, mas os boatos sobre o assunto existem.

Resposta:
B Explicação da resposta:
Nos cursos que o filósofo dava chamados "Sobre o Bem", e nos quais entrava em teorizações complexas sobre as realidades sublimes, supremas, somente discípulos que eram estudiosos alunos conseguiam acompanhar os ensinamentos que exigiam raciocínios profundos. Na Carta VII Platão menciona tais ensinamentos, mas nunca escreveu o que seriam. Os discípulos de Platão desrespeitaram o desejo do filósofo e escreveram sobre aquelas aulas. Platão não aprovou a iniciativa, mas reconheceu que eles estavam corretos quanto ao conteúdo.

Platão acreditava que estamos em contato com uma realidade única e inalienável?
a) Não, pois distinguia duas realidades.
b) Sim, sempre uma única realidade.
c) Sim, a realidade sensível, que é superior a qualquer uma que depois possa aparecer.


Resposta:
A Explicação da resposta:
Há dois tipos de realidade em Platão: a inteligível e a sensível. A realidade inteligível é imutável; a realidade sensível diz respeito a tudo o que afeta os sentidos. Esta última realidade é mutável.




- Platão defendeu a Aristocracia? a) Sim, como forma de -governo. b) Não. Platão não acreditava em algo como uma aristocracia. c) Sim, para ele os escravos e ignorantes deveriam governar para termos mais humildade no mundo.


Resposta:
A Explicação da resposta:
Sim, como uma forma de governo e sem caráter hereditário. Aristocracia, etimologicamente, significa "governo dos melhores". Platão, em seu texto República, afirma que a qualidade que capacita para o governo é o desenvolvimento humano aprimorado, alicerçado na sabedoria, e que está é restrita aos filósofos. Além disso, somente a partir de um forte processo de seleção educativa,que tiver como base a igualdade para os envolvidos, será possível e razoável determinar quem será o governante

Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Governo do Estado da Bahia - CESPE/UnB - 2011
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

QUESTÃO 41
A mitologia grega, cujas principais fontes são a Teogonia, de Hesíodo, e a Ilíada e a Odisséia, de Homero, escritas no século VIII a.C., é constituída por um conjunto de mitos, entidades divinas ou fantásticas e lendas. A Teogonia é a mais completa e importante fonte de mitos sobre a origem e a história dos deuses. As histórias de grandes feitos, heróis e grandes combates constituem as narrativas escritas por Homero, como a Guerra de Troia. As narrativas mitológicas dão, assim, importante testemunho de muitos elementos da cultura da Grécia Antiga.
Internet: - www.brasilescola.com - (com adaptações).
Acerca da mitologia grega, assinale a opção correta.
A - Divulgava-se a mitologia grega por meio de obras escritas, como a Teogonia, de Hesíodo.
B - Nas narrativas, os deuses são descritos com aparência semelhante à dos seres humanos, contudo, diferentemente dos humanos, são desprovidos de sentimentos.
C - Nas narrativas mitológicas, não se inclui a ideia de verdade revelada.
D - Na mitologia grega, pulveriza-se a explicação do mundo, vinculando-a aos humores dos deuses.

QUESTÃO 42
O florescimento da filosofia ocorre a partir das realizações dos chamados filósofos pré-socráticos, como Tales de Mileto, Anaxágoras, Anaxímenes, entre outros. Essa nova maneira de pensar conflitava em muitos aspectos com a maneira de pensar expressa nos mitos ou nas narrativas mitológicas desenvolvidas na Grécia Arcaica por aedos como Hesíodo e Homero.
Uma diferença entre a forma de pensamento da filosofia présocrática e a fundamentada nos mitos é
A - a preocupação com a explicação dos fenômenos naturais.
B - a visão animista com base na qual se explicam os fenômenos naturais.
C - a preocupação dos pré-socráticos com questões éticas ou morais.
D - a sistematização do conhecimento sobre o mundo mediante a busca de princípios sintéticos.

QUESTÃO 43
Adam Smith observou que o trabalho incorporado em uma mercadoria ou o custo de sua produção correspondente aos salários pagos ao trabalhador era inferior ao trabalho comandado, ou seja, à quantidade de trabalho que uma mercadoria, uma vez vendida, poderia comandar ou comprar. Smith considerava que o lucro decorria das relações entre oferta e procura, sendo criado pelo próprio mercado. Para David Ricardo, o salário gravitava sempre em torno dos seus níveis naturais - isto é, de um mínimo de subsistência fisiológica. Caso, em decorrência da escassez de mão de obra, o salário aumentasse além do nível natural, os operários se reproduziriam de tal forma que a oferta excessiva de força de trabalho deprimiria de novo os salários ao nível natural. Para esse autor, o lucro acabava sendo simplesmente um resíduo - aquilo que sobrava como renda do empresário depois de pagos os salários de subsistência e as rendas da terra. A partir das idéias de seus predecessores, Karl Marx propôs novas ideias a respeito das relações entre trabalho e salário, especialmente, ao analisar a questão do lucro.
Considerando o texto acima, é correto afirmar que Karl Marx
A - nega a relação automática e naturalizante entre lucro e capital investido, insistindo no caráter fetichista da mercadoria.
B - adota abordagem similar à de David Ricardo, ao assumir noções de trabalho da perspectiva biológica.
C - admite, assim como Adam Smith e David Ricardo, que o valor do trabalho é uma grandeza concreta pela qual o operário vende sua força.
D - assume que o salário como forma de remuneração do trabalho é injusto quando o empregador busca o lucro.

QUESTÃO 46
Certos pensadores foram capazes de sintetizar grande parte do pensamento de um período em uma única frase. A época de Galileu Galilei foi marcada por inúmeras diatribes com a Igreja Católica e pelo surgimento de uma nova maneira de pensar. A frase "o livro da natureza está escrito em linguagem matemática" sintetiza
A - o desprezo de Galileu por Deus e por qualquer explicação de caráter metafísico embasada em entidades supranaturais.
B - a defesa do heliocentrismo, tese introduzida por Nicolau Copérnico.
C - a superação da filosofia platônica com seu apreço excessivo pela construção lógica.
D - a inversão entre religião e ciência com relação à prioridade sobre a enunciação da verdade.

QUESTÃO 48
A defesa da imortalidade da alma em algumas das obras de Platão decorre
A - do fato de a reencarnação ser necessária à sustentação da teoria platônica do conhecimento como recordação.
B - do fato de todos nascerem, de acordo com o autor, como tabula rasa.
C - da necessidade de se ver o ímpio pagando pelos seus atos, se não na vida atual, em outra.
D - da crítica que o autor faz aos filósofos pré-socráticos por aderirem a análises do mundo natural, desconsiderando a dimensão espiritual.

QUESTÃO 49
Kant desenvolve sua filosofia moral em torno do chamado imperativo categórico, segundo o qual uma ação deve ser considerada moralmente boa se for possível estendê-la a todas as pessoas sem que, com isso, a ação torne-se inconcebível ou impraticável.
Considerando esse princípio, é correto identificar a moral kantiana a uma perspectiva
A - formal, em que os elementos contextuais são irrelevantes.
B - segundo a qual os resultados de uma ação determinam a moralidade dessa ação.
C - formal, em que elementos contextuais devem ser levados em conta.
D - segundo a qual as intenções dos agentes determinam a moralidade da ação.

QUESTÃO 50
Um argumento lógico
A - é considerado válido se sua conclusão for verdadeira.
B - admite uma conclusão válida a partir de premissas inválidas.
C - é considerado válido se a verdade da conclusão decorrer necessariamente da verdade das premissas.
D - admite que se conclua uma falsidade de premissas verdadeiras, desde que o argumento seja válido.

PROVA DISCURSIVA
QUESTÃO 1
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece regras comuns para o funcionamento da educação básica, no nível fundamental e no médio. Uma dessas regras diz respeito à verificação do rendimento escolar dos estudantes, devendo-se observar, entre outros, o seguinte critério: "avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais", conforme dispõe a alínea "a" do inciso V do art. 24 da referida lei.
Considerando o critério acima mencionado, redija um texto acerca do papel da avaliação da aprendizagem na organização do trabalho pedagógico.

QUESTÃO 2
O período burguês da história está chamado a assentar as bases materiais de um novo mundo: a desenvolver, de um lado, o intercâmbio universal, que se baseia na dependência mútua do gênero humano, e os meios para realizar esse intercâmbio; e, de outro, desenvolver as forças produtivas do homem e transformar a produção material em um domínio científico sobre as forças da natureza. A indústria e o comércio burgueses vão criando essas condições materiais de um novo mundo do mesmo modo que as revoluções geológicas criaram a superfície da Terra.
Karl Marx. Futuros resultados do domínio britânico na Índia (1853). In: Karl Marx e Friedrich Engels: textos. São Paulo: Edições Sociais, 1977, p. 297 (com adaptações).
Considerando o texto acima e o contexto do desenvolvimento do capitalismo e das relações de trabalho, no século XIX, explique o que significa, na concepção de Marx e Engels, a "dependência mútua do gênero humano".

QUESTÃO 3
No bullying, o assediante atormenta, humilha e deprecia a pessoa que é escolhida como alvo de seus ataques, considerada, por ele, por alguma razão, frágil, vulnerável ou inferior. Portanto, para caracterizar o assédio como bullying, deve haver uma relação de poder estabelecida entre o agressor e a vítima. Esta, por razões particulares, recebe a ação de forma passiva. Em geral, sente-se impotente, imobilizada e acaba desenvolvendo quadro de pânico, depressão ou distúrbios psicossomáticos, com prejuízo para a sua dignidade e autoestima.
Internet: - www.integral.br - (com adaptações).
Considerando o fragmento de texto acima e as ideias, no âmbito da filosofia moral, relacionadas a justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição, discorra sobre o bullying à luz da filosofia prática kantiana, com base, necessariamente, nos seguintes conceitos:
- leis objetivas;
- fins;
- ética.

GABARITO:
41-D
42-D
43-A
46-D
48-A
49-A
50-C

Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Governo do Estado de São Paulo - VUNESP - 2009
HABILIDADES ESPECÍFICAS

21. Segundo a explicação metafísica, todas as coisas que existem possuem uma natureza específica, pertencendo a uma determinada espécie de seres. As diferenças entre os seres são acidentais e não substanciais, uma vez que a substância é a estrutura necessária do ser. Com base nessa hipótese, pode-se afirmar que
(A) não é possível inferir das coisas qualquer perspectiva universalista.
(B) todas as coisas possuem somente uma existência particular.
(C) as diferenças entre os seres são unicamente acidentais.
(D) não existe uma estrutura necessária do ser.
(E) a explicação metafísica serviu de base para as correntes empiristas da filosofia.

Utilize o texto para responder às questões de números 22 e 23.
"Se fosse adequado incomodá-lo com a história deste Ensaio, deveria dizer-lhe que cinco ou seis amigos reunidos em meu quarto, e discorrendo acerca de assunto bem remoto do presente, ficaram perplexos, devido às dificuldades que surgiram de todos os lados. Após termos por certo tempo nos confundido, sem nos aproximarmos de nenhuma solução acerca das dúvidas que nos tinham deixado perplexos, surgiu em meus pensamentos que seguimos o caminho errado, e, antes de nós nos iniciarmos em pesquisas desta natureza, seria necessário examinar nossas próprias habilidades e averiguar quais objetos são e quais não são adequados para serem tratados por nossos entendimentos."
(John Locke. Ensaio acerca do Entendimento Humano. São Paulo: Nova Cultural, 1999)

22. A qual corrente filosófica pertenceu John Locke?
(A) Empirismo.
(B) Metafísica.
(C) Estoicismo.
(D) Existencialismo.
(E) Teoria crítica.

23. Acerca do texto e das concepções sobre a natureza do conhecimento, segundo Locke, é correto afirmar que
(A) essa concepção sobre os limites do conhecimento alicerçou a metafísica moderna.
(B) embora de acordo com concepções muito diferentes sobre a natureza do conhecimento, há certa similaridade entre Locke e Kant, somente no que diz respeito à intenção de "averiguar quais objetos são e quais não são adequados para serem tratados por nossos entendimentos".
(C) os resultados da pesquisa empreendida por Locke o levaram a contestar as bases da corrente empirista da filosofia.
(D) a perplexidade relatada por Locke em nada se relaciona com as pesquisas filosóficas futuramente empreendidas por David Hume.
(E) as conclusões relatadas por Locke serviram como fundamento para a formulação da concepção de verdades absolutas na filosofia.

24. Para Marilena Chauí, em vez de perguntar "que horas são?", podemos indagar "o que é o tempo?". Em vez de dizermos "ficou maluca?" ou "está sonhando?", podemos nos perguntar "o que é o sonho", a loucura, a razão?" (Convite à Filosofia. São Paulo, Ática, 1994). Portanto,
(A) não é possível diferenciar entre senso comum e atitude filosófica.
(B) filosofar implica assumir, no plano do pensamento, os mesmos parâmetros habitualmente empregados na vida cotidiana.
(C) filosofar significa ater-se à aceitação imediata da realidade.
(D) a filosofia começa pela reafirmação necessária das crenças e preconceitos do senso comum.
(E) a atitude filosófica diferencia-se estruturalmente do senso comum.

Leia o texto para responder às questões de números 25 a 27.
"Na medida em que nesse processo a indústria cultural inegavelmente especula sobre o estado de consciência e inconsciência de milhões de pessoas às quais ela se dirige, as massas não são, então, o fator primeiro, mas um elemento secundário, um elemento de cálculo; acessório da maquinaria. O consumidor não é rei, como a indústria cultural gostaria de fazer crer, ele não é o sujeito dessa indústria, mas seu objeto. O termo mass media, que se introduziu para designar a indústria cultural, desvia, desde logo, a ênfase para aquilo que é inofensivo. Não se trata nem das massas em primeiro lugar, nem das técnicas de comunicação como tais, mas do espírito que lhes é insuflado, a saber, a voz de seu senhor. A indústria cultural abusa da consideração com relação às massas para reiterar, firmar e reforçar a mentalidade destas, que ela toma como dada a priori e imutável. É excluído tudo pelo que essa atitude poderia ser transformada. As massas não são a medida mas a ideologia da indústria cultural, ainda que esta última não possa existir sem a elas se adaptar."
(Theodor W. Adorno. A indústria cultural. In: Cohn, Gabriel (org.).Theodor W. Adorno. São Paulo, Ática, 1996)

25. De acordo com o filósofo alemão Adorno, pode-se afirmar que
(A) há notável descontinuidade e heterogeneidade entre tempo de trabalho e tempo livre.
(B) não é verdade que os meios de massa sejam estilística e culturalmente conservadores.
(C) os meios de comunicação de massa apresentam indiscutível potencial revolucionário.
(D) ao adaptar-se aos desejos das massas, a indústria cultural apresenta inegável potencial democrático.
(E) a indústria cultural é moldada pela racionalidade instrumental.

26. Adorno pertenceu ao seguinte movimento filosófico:
(A) existencialismo.
(B) teoria crítica.
(C) epicurismo.
(D) estruturalismo.
(E) empirismo.

27. De acordo com Adorno,
(A) o termo mass media é adequado para designar o fenômeno da indústria cultural.
(B) a indústria cultural apresenta indiscutível potencial emancipador.
(C) a indústria cultural não é ideológica.
(D) o consumidor cultural existe em estado de heteronomia.
(E) o consumidor cultural existe em estado de autonomia.

Leia os textos para responder às questões de números 28 a 30.
1. "Era urgente uma filosofia que justificasse a confiança comum na razão. Só era possível opor ao ceticismo desagregador uma razão metafisicamente fundada, capaz de se sustentar na busca da verdade, e um método universal e fecundo."
(Reali e Antiseri. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 1990)
2. "A razão (...) não é nem exclusivamente razão objetiva (a verdade está nos objetos) nem exclusivamente subjetiva (a verdade está no sujeito), mas ela é a unidade necessária do objetivo e do subjetivo. Ela é o conhecimento da harmonia entre as coisas e as ideias, entre o mundo exterior e a consciência, entre o objeto e o sujeito, entre a verdade objetiva e a verdade subjetiva."
(Marilena Chauí. Convite à Filosofia. São Paulo, Ática, 1994)
3. "As ideias, em suma, não são simples pensamentos, mas aquilo que o pensamento pensa quando liberto do sensível; constituem o "verdadeiro ser", o "ser por excelência"."
(Reali e Antiseri. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 1990)
4. "Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas."

28. As 4 afirmações, comparadas entre si, podem ser, respectivamente, atribuídas, com maior propriedade, aos seguintes pensadores:
(A) Descartes, Kant, Hegel, Platão.
(B) Descartes, Hegel, Platão, Kant.
(C) Platão, Kant, Hegel, Descartes.
(D) Platão, Hegel, Kant, Descartes.
(E) Kant, Hegel, Platão, Descartes.

29. É correto afirmar que
(A) no texto 1, o "método universal e fecundo" apresenta-se em oposição à "razão metafisicamente fundada".
(B) no texto 2, tem-se a formulação de uma razão dialética.
(C) no texto 3, prevalece a formulação de um mundo sensível em detrimento de um mundo inteligível.
(D) às formulações do texto 3 corresponde a concepção básica da filosofia empirista.
(E) às formulações do texto 4 corresponde a concepção da mente humana como "tábula rasa" ou "folha em branco".

30. Pode-se dizer que
(A) o texto 1 expressa uma concepção filosófica que corrobora o ceticismo.
(B) no texto 2, a "harmonia entre "coisas e ideias" pressupõe a existência de uma coisa-em-si incognoscível".
(C) no texto 3, as ideias pertencem ao mundo sensível.
(D) no texto 4, "pensamentos sem conteúdo são vazios", significa que é possível a existência de uma intuição intelectual.
(E) no texto 1, o "método universal e fecundo" adaptou-se, em grande medida, à linguagem matemática.

31. E quanto mais as classes exploradas, o "povo", sucumbem aos poderes existentes, tanto mais a arte se distanciará do "povo", ao contrário do que pensam Brecht e Sartre. A arte não pode mudar o mundo, mas pode contribuir para a mudança da consciência e impulsos dos homens e mulheres que poderiam mudar o mundo" (...) A possibilidade de uma aliança entre "o povo" e a arte pressupõe que os homens e as mulheres administrados pelo capitalismo monopolista desaprendam a linguagem, os conceitos e as imagens desta administração, que experimentem a dimensão da mudança qualitativa, que reivindiquem a sua subjetividade, a sua interioridade (...). Se o potencial radical da arte residir precisamente nesta nãoidentidade com a práxis política, como pode este potencial encontrar representação válida numa obra de arte e como pode ela tornar-se um fator de transformação da realidade?
(H. Marcuse, Dimensão Estética. São Paulo: Martins Fontes, s/d.)
Das afirmações de Herbert Marcuse, pode-se depreender que
(A) Brecht e Sartre divergem radicalmente acerca da necessidade de unidade entre arte e práxis política.
(B) a arte apresenta potenciais revolucionários exatamente quando se adapta à linguagem popular.
(C) a realização do potencial radical da arte pressupõe o retorno ao monopólio dos objetos artísticos pelas elites aristocráticas.
(D) a possibilidade de uma aliança entre o povo e a arte pressupõe um processo educativo que torne esta um fator de transformação da realidade.
(E) a possibilidade de uma aliança entre o povo e a arte pressupõe a realização da revolução comunista.

Leia o texto para responder às questões de números 32 a 34.
A caverna (...) é o mundo sensível onde vivemos. O fogo que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (do Bem e das ideias) sobre o mundo sensível. Somos os prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis, que tomamos pelas verdadeiras, e as imagens ou sombras dessas sombras, criadas por artefatos fabricadores de ilusões. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos, nossas paixões e opiniões. O instrumento que quebra os grilhões e permite a escalada do muro é a dialética. O prisioneiro curioso que escapa é o filósofo. A luz que ele vê é a luz plena do ser, isto é, o Bem, que ilumina o mundo inteligível como o Sol ilumina o mundo sensível. O retorno à caverna para convidar os outros a sair dela é o diálogo filosófico, e as maneiras desajeitadas e insólitas do filósofo são compreensíveis, pois quem contemplou a unidade da verdade já não sabe lidar habilmente com a multiplicidade das opiniões nem mover-se com engenho no interior das aparências e ilusões. Os anos despendidos na criação do instrumento para sair da caverna são o esforço da alma para libertar-se. Conhecer é, pois, um ato de libertação e de iluminação. A paideia filosófica é uma conversão da alma voltando-se do sensível para o inteligível.
Essa educação não ensina coisas nem nos dá a visão, mas ensina a ver, orienta o olhar, pois a alma, por sua natureza, possui em si mesma a capacidade para ver.
(M. Chauí, Introdução à história da filosofia. São Paulo: Companhia das Letras, 2002)

32. De acordo com o texto, pode-se afirmar que
(A) o conhecimento filosófico pressupõe o acesso ao mundo sensível.
(B) a dialética é um instrumento de alienação.
(C) o texto pode ser interpretado como uma crítica aos sofistas.
(D) a unidade da verdade coincide com a multiplicidade de opiniões.
(E) conhecer equivale a entregar-se às paixões.

33. De acordo com o texto, pode-se afirmar que
(A) o processo de esclarecimento por meio da filosofia pressupõe a iluminação das coisas sensíveis pelos fabricadores de ilusões.
(B) as coisas sensíveis possuem uma verdade encerrada nelas mesmas, sem a necessidade de acesso ao reino inteligível.
(C) a metáfora da caverna é anacrônica e inteiramente inapropriada para a compreensão crítica da sociedade contemporânea.
(D) o reino inteligível das ideias consiste na multiplicidade das opiniões.
(E) a paideia filosófica é um processo de dissolução de preconceitos e de ideias ligadas ao senso comum.

34. O filósofo, autor do texto que originalmente descreve a alegoria da caverna, é
(A) Kant.
(B) Descartes.
(C) Platão.
(D) Hegel.
(E) Locke.

35. "No meio-tempo, uma última palavra aos que temem a ditadura da razão: é tempo de arquivar de uma vez por todas a máxima obscurantista de que ?cinzenta é toda teoria, e verde apenas a árvore esplêndida da vida?. Ela só pode ser sustentada, paradoxalmente, pelas naturezas não-passionais, insensíveis ao erotismo do pensar. Quem, lendo um poema de Drummond, um livro de Tolstoi ou um tratado de Hegel, acha que está se afastando da vida, não começou ainda a viver. Sem pensamento, a vida não é verde: é cinzenta. A vida do pensamento é uma parte integrante da verdadeira vida. Não é a razão que é castradora, e sim o poder repressivo, que deriva sua solidez da incapacidade de pensar que ele induz em suas vítimas. O fascismo se implantou através da difusão de uma ideologia vitalista reacionária, que proclamava o primado dos instintos vitais sobre a razão, e com isso inutilizou a razão, o único instrumento que permitiria desmascará-lo como a negação absoluta da vida."
(Sérgio Paulo Rouanet. Razão e Paixão. In: Os Sentidos da paixão.São Paulo, Cia. Das Letras, 1990).
Do texto, pode-se depreender que
(A) é analisada a existência de uma dialética da razão, que tanto pode ser "sábia", subordinada à emancipação, quanto pode ser "não-sábia", estando a serviço do poder.
(B) a verdadeira vida é identificada com a libertação dos desejos frente a todas as tendências repressivas que limitam seu ímpeto natural.
(C) o erotismo do pensamento, ao qual se refere o autor, está diretamente associado à ideologia vitalista reacionária do fascismo.
(D) toda forma de pensamento é válida como instrumento de libertação do ser humano.
(E) os três autores citados no texto caracterizaram-se pela insensibilidade ao erotismo do pensar.

36. "O modo de pensar substancialista, que identificava profundidades, é substituído pela matemática enquanto modelo da realidade física, coisa impensável para os escolásticos. Aquele mundo composto de qualidades, significados e fins, que a matemática não podia interpretar, é suplantado por um mundo quantitativo e, portanto, matematizável, no qual não há mais traços de qualidades, de valores, de fins e de profundidade. O mundo qualitativo, de origem aristotélica, cede e desaparece lentamente. (...) "A natureza é opaca, silenciosa, inodora e incolor: é apenas a impetuosa sucessão da matéria, sem fim e sem motivo". (...) O movimento e a quantidade substituem os genera e as species da cosmologia tradicional (...) Na natureza, deixa de haver a visão hierárquica e as finalidades das coisas."
(Reali e Antiseri. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 1990, p.137)
O processo descrito pelos autores é utilizado para exemplificar com maior grau de propriedade o sistema filosófico do seguinte pensador:
(A) Kant.
(B) Aristóteles.
(C) Berkeley.
(D) Hegel.
(E) Descartes.

37. "Imaterialismo. Termo criado pelo filósofo x para indicar a doutrina da negação de existência da realidade corpórea e da redução desta a ideias impressas nos espíritos finitos diretamente por Deus (...). Essa doutrina foi denominada e denomina-se mais comumente idealismo. O argumento fundamental adotado pelo filósofo x em favor do Imaterialismo é que as coisas e suas propriedades não são mais que ideias que, para existirem, precisam ser percebidas (esse est percipi), portanto, pensar coisas que não sejam percebidas equivale a defini-las como "não pensadas", mesmo enquanto são pensadas."
(Dicionário Abbagnano de Filosofia. São Paulo, Martins Fontes, 2000).
O pensador x designado é
(A) Kant.
(B) Aristóteles.
(C) Berkeley.
(D) Hegel.
(E) Descartes.

Leia o texto para às questões de números 38 e 39.
"Ideias metafísicas do Livro do Desassossego [?]
A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas. A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza".
(Fernando Pessoa. Livro do Desassossego)

38. De acordo com as concepções expressadas no texto, Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, pode ser definido, com maior propriedade, como um pensador
(A) empirista.
(B) metafísico.
(C) idealista.
(D) estóico.
(E) platônico.

39. Assinale a alternativa que apresenta filósofos que correspondem, com maior propriedade, às concepções expressadas no texto.
(A) Berkeley e Hume.
(B) Sócrates e Platão.
(C) Kant e Hegel.
(D) Descartes e Kant.
(E) Hume e Hegel.15 SEED0902/09-PEBII-Filosofia-20-tarde

40. "Em um primeiro momento, sinto-me assustado e confuso com a solidão desesperadora em que me encontro dentro de minha filosofia; imagino-me como um monstro estranho e rude que, por incapaz de se misturar e se unir à sociedade, foi expulso de todo relacionamento com os outros homens e largado em total abandono e desconsolo. (...) Expus-me à inimizade de todos os metafísicos, lógicos, matemáticos e mesmo teólogos; como me espantar, então, com os insultos que devo sofrer? Declarei que desaprovo seus sistemas; como me surpreender se expressarem seu ódio a meu próprio sistema e a minha pessoa?"
(D. Hume. Tratado da Natureza Humana. São Paulo, EDUNESP, 2001)
Sobre o texto, é correto afirmar que
(A) o tom melancólico e pessimista do texto decorre do fato de que, em sua filosofia, Hume deparou-se com a evidência incontestável de verdades absolutas na filosofia.
(B) Hume fundamentou de maneira inovadora os conceitos fundamentais da metafísica moderna.
(C) ao imaginar-se como "monstro estranho e rude", Hume expressa o estado de desalento de um pensamento que contestou de maneira contundente os critérios da filosofia empirista de sua época.
(D) o ceticismo de Hume condensa sua crítica radical ao conceito metafísico de substância.
(E) os pressupostos empiristas da filosofia de Hume contestaram amplamente a noção de hábito derivada de Berkeley.

Considere o texto para responder às questões de números 41 a 45.
"Essa imagem, caro Glauco, deves aplicar a tudo o que foi dito anteriormente, assemelhando o lugar que vemos com nossos olhos à morada na prisão, e a luz da fogueira que arde lá ao poder do sol. E, se tomares a subida até o alto e a visão das coisas que lá estão como ascensão da alma até o mundo inteligível, não me frustrarás em minha expectativa, já que queres ouvir-me falar dela. Deus sabe se ela é verdadeira... Em todo o caso, eis o que penso. No mundo cognoscível, vem por último a ideia do bem que se deixa ver com dificuldade, mas, se é vista, impõe-se a conclusão de que para todos é a causa de tudo quanto é reto e belo e que, no mundo visível, é ela quem gera a luz e o senhor da luz e, no mundo inteligível, é ela mesma que, como senhora, propicia verdade e inteligência, devendo tê-la diante dos olhos quem quiser agir com sabedoria na vida privada e pública."
(República, Martins Fontes, 2006)

41. O texto pode ser caracterizado como o caminho do
(A) cidadão para a liberdade.
(B) homem para a morte.
(C) cego para a luz.
(D) filósofo para a verdade.
(E) sofista para a sombra.

42. A separação do mundo em visível e inteligível equivale, respectivamente, à vida
(A) pública e à vida privada.
(B) do bem e à vida do mal.
(C) do corpo e à vida da alma.
(D) física e à vida biológica.
(E) fácil e à vida difícil.

43. A ideia do bem é o que orienta a ascensão da alma. Este movimento caracteriza a
(A) retórica socrática.
(B) dialética platônica.
(C) dúvida cartesiana.
(D) lógica aristotélica.
(E) hedonismo epicúreo.

44. A ideia do bem gera a luz e propicia a verdade. Desse modo,
(A) só os bons conhecem a luz e a verdade.
(B) só quem compreende o bem conhece a luz e a verdade.
(C) só sei que nada sei é um bem.
(D) a luz e a verdade são bens privados.
(E) a luz e a verdade são bens públicos.

45. Assinale a alternativa correta.
(A) O visível e o inteligível são modos de agir.
(B) O visível e o inteligível são maneiras de sentir.
(C) O visível e o inteligível são métodos de memorização.
(D) O visível e o inteligível são caminhos para a riqueza.
(E) O visível e o inteligível são formas de saber.

Considere o texto para responder às questões de números 46 a 50.
"Por que os nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, porque há homens que se equivocam ao raciocinar, mesmo no tocante às mais simples matérias de geometria, e cometem aí paralogismos, rejeitei como falsas, julgando que estava sujeito a falhar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. E enfim, considerando todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos podem também ocorrer quando dormimos, sem que haja nenhum, nesse caso, que seja verdadeiro, resolvi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capaz de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio de Filosofia que procurava."
(Discurso do Método, abril, 1979)

46. O texto caracteriza o pensamento do seguinte filósofo:
(A) Aristóteles.
(B) Descartes.
(C) Epicuro.
(D) Platão.
(E) Rousseau.

47. A afirmação "Penso, logo existo" inaugura uma nova abordagem filosófica do
(A) ceticismo renascentista.
(B) hedonismo contemporâneo.
(C) estoicismo moderno.
(D) subjetivismo moderno.
(E) objetividade cultural.

48. Assinale a alternativa correta.
(A) Se sonho que estou acordado, meus pensamentos são mais verdadeiros.
(B) Se durmo quando estou acordado, meus pensamentos são menos verdadeiros.
(C) Se acordo depois de sonhar, meus pensamentos são mais verdadeiros.
(D) Se estou acordado ou dormindo, faço de conta que meus pensamentos são falsos.
(E) Se estou acordado ou dormindo, faço de conta que meus pensamentos são verdadeiros.

49. Assinale a alternativa correta.
(A) O primeiro princípio da filosofia é a falsidade de meu pensamento.
(B) O primeiro princípio da filosofia é o ceticismo metódico.
(C) O primeiro princípio da filosofia é fazer de conta que meus pensamentos são falsos.
(D) O primeiro princípio da filosofia é que eu sou alguma coisa diferente das outras coisas.
(E) O primeiro princípio da filosofia é a veracidade de minha existência.

50. "Penso, logo existo" significa que
(A) minha alma pensa.
(B) meu corpo pensa.
(C) minha alma sente.
(D) meu corpo sente.
(E) meu corpo existe.

Considere o texto para responder às questões de números 51 a 55.
"Cada indivíduo, com efeito, pode, como homem, ter uma vontade particular, contrária ou diversa da vontade geral que tem como cidadão. Seu interesse particular pode ser muito diferente do interesse comum. Sua existência, absoluta e naturalmente independente, pode levá-lo a considerar o que deve à causa comum como uma contribuição gratuita, cuja perda prejudicará menos aos outros, do que será oneroso o cumprimento a si próprio."
(...) Ele desfrutará dos direitos do cidadão sem desempenhar os deveres de súdito - injustiça cujo progresso determinaria a ruína do corpo político."
(Contrato social)

51. A passagem trata de
(A) gratuidade da cidadania.
(B) existência do homem.
(C) corrupção.
(D) independência do cidadão.
(E) patriotismo.

52. O indivíduo é ao mesmo tempo homem e cidadão. Então,
(A) a existência do homem é absoluta e a do cidadão é relativa.
(B) a existência do indivíduo é natural e a dos outros é relativa.
(C) a existência particular é comum e a existência geral é absoluta.
(D) a existência do indivíduo é independente e a causa comum é gratuita.
(E) a existência do homem é particular e a do cidadão é geral.

53. O homem tem vontade particular e o cidadão tem vontade geral, logo,
(A) o homem e o cidadão não se corrompem.
(B) o homem não se corrompe.
(C) o cidadão corrompe o homem.
(D) o homem corrompe o cidadão.
(E) o cidadão arruína o Estado.

54. Quando o interesse particular é diferente do interesse comum, a contribuição para a causa comum é
(A) um prazer.
(B) um ônus.
(C) um erro.
(D) uma injustiça.
(E) uma opção.

55. O que arruína o corpo político é
(A) ter uma existência absoluta e naturalmente independente.
(B) não desfrutar os direitos do cidadão.
(C) não contribuir para a causa comum.
(D) ter uma vontade particular diversa da vontade geral.
(E) ter um interesse particular diferente do interesse comum.

Considere o texto para responder às questões de números 56 a 60.
"Olho esta folha branca sobre minha mesa; percebo sua forma, sua cor, sua posição. Essas diferentes qualidades têm características comuns: em primeiro lugar, elas se dão a meu olhar como existências que apenas posso constatar e cujo ser não depende de forma alguma do meu capricho. Elas são para mim, não são eu. Mas também não são outrem, isto é, não dependem de nenhuma espontaneidade, nem da minha, nem da de outra consciência. São, ao mesmo tempo, presentes e inertes. Essa inércia do conteúdo sensível, frequentemente descrita, é a existência em si. De nada serve discutir se esta folha se reduz a um conjunto de representações ou se é ou deve ser mais do que isso. O certo é que o branco que constato não pode ser produzido por minha espontaneidade. Esta forma inerte, que está aquém de todas as espontaneidades conscientes, que devemos observar, conhecer pouco a pouco, é o que chamamos uma coisa. Em hipótese alguma minha consciência seria capaz de ser uma coisa, porque seu modo de ser em si é precisamente um ser para si. Existir, para ela, é ter consciência de sua existência."
(A imaginação, Abril, 1984)

56. Este texto de Sartre é
(A) estruturalista.
(B) marxista.
(C) pós-moderno.
(D) fenomenológico.
(E) iluminista.

57. A existência em si é
(A) uma espontaneidade inconsciente do outro.
(B) uma inércia sem conteúdo que se apresenta por si.
(C) uma coisa aquém da consciência.
(D) um conjunto de representações além da consciência.
(E) uma coisa para si e outra para mim.

58. Minha consciência é
(A) um ser em si reificado (coisificado).
(B) um ser para si nadificado.
(C) um ser para outro representado.
(D) um ser espontâneo caprichado.
(E) um ser para isso modificado.

59. Num primeiro momento, olhar para a folha branca é
(A) uma constatação.
(B) um conhecimento.
(C) uma produção.
(D) um capricho.
(E) uma representação.

60. Uma coisa é
(A) um ser para si.
(B) um ser para mim.
(C) um ser de outrem.
(D) um ser sensível.
(E) um ser mais do que isso.

61. De acordo com a Proposta Curricular, a preocupação com o homem racional e livre, com as mudanças na política e com a esperança nas ciências empíricas constitui a principal característica da
(A) Filosofia Moderna.
(B) Filosofia Antiga.
(C) Filosofia Contemporânea.
(D) Filosofia Medieval.
(E) Filosofia Pós-moderna.

62. Leia as afirmações sobre a Filosofia contidas em uma situação de aprendizagem da Proposta Curricular.
I. A Filosofia é um conhecimento que ajuda a gente a ser feliz.
II. O objetivo de se estudar Filosofia é o conhecimento de seu instrumento, ou seja, a reflexão crítica.
III. A Filosofia constitui um conhecimento profundo demais, e que não somos capazes de entender.
IV. A Filosofia é uma reflexão crítica a respeito do conhecimento e da ação.
Uma visão sobre a Filosofia fundada no senso comum está presente apenas nas afirmações
(A) II e III.
(B) I e IV.
(C) I, II e III.
(D) I, II e IV.
(E) I e III.

63. O modelo da cidade ideal, segundo Platão, está fundamentado na concepção de uma divisão em três partes ou classes sociais: artesãos, agricultores e comerciantes; guerreiros; magistrados e governantes. Este modelo funda-se na teoria de que cada indivíduo possui três almas ou três princípios que o compõem: a alma concupiscente; a alma irascível; e a alma racional. Cada classe social possuiria uma função bem definida, na qual cada membro seria escolhido pelas suas capacidades, surgidas em um processo de educação. Desse modo, os magistrados e os governantes seriam escolhidos para esses cargos segundo seus conhecimentos e sabedoria, pois seriam eles os mais preparados para fazer uso da alma racional. A concepção de regime político que fundamenta o modelo de governo platônico é a
(A) Democracia.
(B) Aristocracia.
(C) Monarquia.
(D) Tirania.
(E) Oligarquia.

64. Observe os quadros I e II.
Quadro I: Filósofo
1 John Locke
2 Miguel Bakunin
3 Karl Marx
Quadro II: Teoria
1 Socialista
2 Liberal
3 Anarquista
Leia os excertos a seguir.
I. "Cada um é dirigente e cada um é dirigido por sua vez. Assim, não há nenhuma autoridade fixa e constante, mas uma troca contínua de autoridade e de subordinação mútuas, passageiras e, sobretudo, voluntárias."
II. "O principal objetivo, portanto, da união dos homens em sociedade, é a preservação da propriedade."
III. "Todos os movimentos históricos têm sido, até hoje, movimentos de minorias ou em proveito de minorias. O movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria em proveito da imensa maioria."
Assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre o filósofo, sua teoria e o excerto reproduzido acima:
(A) Filósofo 1, Teoria 3, Excerto III.
(B) Filósofo 3, Teoria 3, Excerto II.
(C) Filósofo 2, Teoria 3, Excerto I.
(D) Filósofo 2, Teoria 3, Excerto II.
(E) Filósofo 3, Teoria 3, Excerto I.

66. As diversas culturas existentes mantêm contato entre si, mas nem sempre esse contato é algo que representa ganho para todos, porque muitas culturas se sentem superiores a outras, o que implica diversas maneiras de ver o mundo. A visão de superioridade cultural é denominada pela antropologia de
(A) interpretativa.
(B) relativista.
(C) alteridade.
(D) etnocêntrica.
(E) estruturalista.

67. Sabe-se que a ciência é uma atividade racional e, por isso, se vale das regras da lógica para fundamentar seus conhecimentos, no entanto a indução não parte das regras lógicas para se legitimar. Ela parte da experiência.
Com base no trecho, analise as seguintes afirmações.
I. Com base na observação de um grande número de experiências, por meio dos cinco sentidos, cria-se uma lei ou teoria científica.
II. Uma boa teoria deve permitir a falsificabilidade; quanto mais, melhor.
III. Com a indução, parte-se do particular para o universal; esse conceito utiliza a generalização para criar leis e teorias científicas.
IV. A ousadia, para conseguir progredir em busca de um conhecimento mais aprofundado sobre a realidade deve ser uma das características de uma boa teoria.
Segundo a Proposta Curricular, das afirmações, estão relacionadas a uma visão crítica da ciência apenas
(A) II e IV.
(B) I, III e IV.
(C) I, II e IV.
(D) III e IV.
(E) I, II e III.

68. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
Para Thomas Kuhn, por motivos nem sempre racionais, os cientistas mudam de paradigma, após uma __________ da ciência normal, o que, em geral, é fundamentado na __________ , isto é, quando a __________ não consegue responder a alguns problemas.
(A) revolução científica ... crise ... pré-ciência
(B) crise ... ciência normal ... anomalia
(C) anomalia ... crise ... pré-ciência
(D) revolução científica ... pré-ciência ... anomalia
(E) crise ... anomalia ... ciência normal

69. Leia o excerto.
"Ora, parece que a felicidade, acima de qualquer outra coisa, é considerada como esse sumo bem. Ela é buscada sempre por si e nunca no interesse de uma outra coisa."
A Ética é uma investigação sobre os princípios que motivam, justificam ou orientam as ações humanas, refletindo sobre os fundamentos dos valores sociais e historicamente construídos.
O excerto apresenta o princípio fundamental da ética de
(A) Sócrates.
(B) Plotino.
(C) Aristóteles.
(D) Kant.
(E) Tomás de Aquino.

70. Uma situação de aprendizagem do ensino médio pretende desenvolver no aluno as competências e habilidades do exercício da reflexão crítica voltada à análise da construção social das subjetividades.
Assinale a alternativa que corresponde ao pensador cuja abordagem é adequada ao desenvolvimento dessas competências e habilidades, em conformidade com a Proposta Curricular.
(A) Sócrates.
(B) Paul Ricoeur.
(C) John Locke.
(D) Theodor Adorno.
(E) Max Stirner.

71. Sartre afirmou que não se pode viver com morais alienantes, fora da história. A ética deve ser entendida como ação no mundo, sob o contingenciamento da história - história e ética se confundem.
Segundo o texto, é correto afirmar que
(A) a alienação moral procura fazer com que a ação do passado seja repetida no presente.
(B) a história mostra que é impossível agir de modo ético devido à alienação moral.
(C) no processo de alienação moral, a história é contingente, mas a ética é necessária.
(D) o contingenciamento da história é levado em conta no processo de alienação moral.
(E) a alienação moral faz com que a ação no mundo esteja sob as contingências históricas.

72. "Da improvisação padronizada do jazz até os tipos originais do cinema, que têm de deixar a franja cair sobre os olhos para serem reconhecidos como tais, o que domina é a pseudoindividualidade."
(T. Adorno; M.Horkheimer, Dialética do esclarecimento. 1985)
O fragmento pode proporcionar uma situação de aprendizagem sobre
(A) a teoria do indivíduo.
(B) condutas massificadas.
(C) alienação moral.
(D) ética.
(E) a sujeição.

73. Para Nietzsche, os gregos perceberam que há duas forças diferentes na arte e na vida. Uma ele chamou de apolíneo e a outra de dionisíaco. São características do dionisíaco:
(A) sonho, dança, mutação, luz.
(B) embriaguez, aparência, luz, força.
(C) beleza, força, luz, ordem.
(D) sonho, aparência, luz, ordem.
(E) embriaguez, dança, mutação, violência.

74. Para Marx, a consciência do sofrimento dos trabalhadores faria com que eles se associassem para derrubar o capitalismo, resultando assim no comunismo. É característica do comunismo a ideia de
(A) propriedade e trabalho.
(B) fim da propriedade privada.
(C) Estado liberal.
(D) liberdade e desobediência.
(E) todo o poder ao Estado e à nação.

75. Leia as afirmações.
I. Ser livre é, pois, o mesmo que agir voluntariamente.
II. Tudo é movido por uma causa que se encontra fora de nós, não podemos evitar agir como agimos.
III. Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem.
Assinale a alternativa correta.
(A) A afirmação I representa a concepção dialética da liberdade.
(B) A afirmação III representa a concepção determinista da liberdade.
(C) A afirmação III representa a concepção dialética da liberdade.
(D) A afirmação II representa a concepção do libertarismo sobre a liberdade.
(E) A afirmação III representa a concepção do libertarismo sobre a liberdade.

76. Em meio à Revolução Francesa, foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Durante os debates sobre essa declaração, Olympe de Gouges elaborou aquela que incluía "Os Direitos da Mulher e da Cidadã". A atitude de Gouges revela que
(A) era preciso declarar que as mulheres eram cidadãs e deveriam exercer os seus direitos.
(B) a condição da mulher é uma escolha dos homens apoiada pela submissão das mulheres.
(C) a única libertação possível das mulheres virá da política.
(D) para a libertação das mulheres, elas devem assumir a responsabilidade de mudar a situação.
(E) a sociedade define as identidades do homem e da mulher.

77. Assinale a alternativa que indique o(a) filósofo(a) mais adequado(a), segundo a Proposta Curricular, para contribuir em uma situação de aprendizagem que pretenda desenvolver no aluno as competências e habilidades de analisar a importância dos valores éticos na reflexão sobre a humilhação social e a velhice.
(A) Theodor Adorno.
(B) Immanuel Kant.
(C) Simone de Beauvoir.
(D) Hannah Arendt.
(E) John Rawls.

78. "O preço da dominação não é meramente a alienação dos homens com relação aos objetos dominados; com a coisificação do espírito, as próprias relações dos homens foram enfeitiçadas, inclusive as relações de cada indivíduo consigo mesmo."
O tema em questão no texto corresponde a uma preocupação da Filosofia
(A) contemporânea.
(B) moderna.
(C) renascentista.
(D) antiga.
(E) medieval.

79. Leia o texto.
"Estabelecer o que o aluno deve conhecer e que competências desenvolver no curso de Filosofia no Ensino Médio configura uma tarefa a ser enfrentada de maneira diversa daquela que se espera em qualquer outra disciplina, por causa das características que são próprias ao filosofar. O professor de Física, por exemplo, é capaz de definir o campo da ciência com a qual trabalha, conhece sua metodologia e, a partir dessa base aceita pelos cientistas dos quais é contemporâneo, consegue estabelecer um conteúdo programático mínimo e, além disso, escalonar as dificuldades para escolher o que será estudado de início, como pré-requisito para a compreensão de conceitos mais complexos."
(Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN + Ensino Médio - Ciências Humanas e suas tecnologias)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
(A) o professor de Física, por conhecer sua metodologia, e ter bem definido o campo da ciência com a qual trabalha, está mais capacitado do que o professor de Filosofia para desenvolver os conhecimentos relacionados à sua disciplina.
(B) a maior dificuldade para se estabelecer o que o aluno deve conhecer e quais competências desenvolver no curso de Filosofia do Ensino Médio é a de que não existe uma Filosofia, como a Física, pois o que existem são Filosofias.
(C) a maior dificuldade para se estabelecer o que o aluno deve conhecer no curso de Filosofia do Ensino Médio surge do fato de que os professores de Filosofia desconhecem as competências que devem desenvolver em sua disciplina.
(D) o professor de Filosofia não é capaz de estabelecer um conteúdo programático mínino para conseguir desenvolver as competências com seus alunos e determinar o que o mesmo deve conhecer.
(E) o professor de Física é o único que consegue fazer com que sua disciplina desenvolva as competências com seus alunos, pois a Física é a única ciência que trabalha com bases aceitas pelos cientistas contemporâneos.

80. Quando falamos a palavra "cultura", ela pode ser entendida como acúmulo de conhecimentos, assim como ação dos homens sobre a natureza por meio do trabalho. Considerando o segundo sentido da palavra cultura, é correto afirmar que
(A) o homem percebe seu lugar de origem e sua identidade por meio da natureza.
(B) a natureza é o reino da liberdade, ao passo que a cultura é reino do determinismo.
(C) ao planejar, escrever, trabalhar, governar, rezar, o homem realiza um processo estabelecido pela natureza.
(D) a produção da cultura é determinada pela natureza.
(E) a cultura pode significar o uso da liberdade, enquanto a natureza pode significar o determinismo biológico.

GABARITO:
21-C 22-A 23-B 24-E 25-E 26-B 27-D 28-B 29-B 30-E 31-D 32-C 33-E 34-C 35-A 36-E 37-C 38-A 39-A 40-D 41-D 42-C 43-B 44-B 45-E 46-B 47-D 48-D 49-E 50-A 51-C 52-E 53-D 54-B 55-C 56-D 57-C 58-B 59-A 60-B
61-A 62-E 63-B 64-C 66-D 67-A 68-E 69-C 70-B
71-A 72-B 73-E 74-B 75-C 76-A 77-C 78-A 79-B 80-E

Prova com questões respondidas - Professor de Lógica e Epistemologia - UFFS - FEPESE - 2010
PROVA DE CONHECIMENTOS

1. A respeito das diferentes concepções de ciência e verdade em Platão e Aristóteles, assinale a alternativa falsa:
a. ( ) Aristóteles considerou a lógica como uma disciplina de preparação (propedêutica) para o melhor desenvolvimento das ciências.
b. ( X ) O único ponto de continuidade entre o pensamento platônico e o aristotélico acerca do conhecimento era que ambos consideravam os sentidos como a fonte de toda a confusão (que conduzem à doxa - opinião).
c. ( ) À diferença de Platão, para quem a dialética era o único método válido, Aristóteles distinguia a dialética da analítica. Para ele, a dialética só comprova as opiniões por sua consistência lógica, ao passo que a analítica trabalha de forma dedutiva, a partir de princípios que se apoiam sobre uma observação precisa.
d. ( ) No Órganon, Aristóteles expõe um método positivo para a ciência, que permite considerá-la um saber demonstrável: só se pode chamar de ciência aquilo que é metódico e sistemático, ou seja, lógico
e. ( ) No conjunto de obras que formam o Órganon aparecem primeiramente "Categorias", a seguir "Sobre a interpretação", "Analíticos" (Primeiros e Segundos), "Tópicos" e finalmente "Elencos sofísticos".

2. Segundo a teoria dos silogismos, há quatro tipos de proposições categóricas, que diferem em qualidade e em quantidade, são elas: A, E, I e O.
Assinale a alternativa falsa:
a. ( ) I é subalterna de A.
b. ( ) O é subalterna de E.
c. ( ) I e O são subcontrárias.
d. ( X ) A e E são proposições complementares.
e. ( ) A e O, e I e E são proposições contraditórias.

3. Platão lançou mão tanto da ironia quanto da maiêutica socráticas, transformando-as em um procedimento por ele denominado de dialética, o método mais profícuo de aproximação em direção às ideias universais.
Na versão platônica, esse método consiste em:
a. ( X ) trabalhar expondo e examinado teses contrárias sobre um mesmo assunto, com o intuito de descobrir qual dentre elas era falsa e deveria portanto ser abandonada em prol da tese verdadeira, que deveria ser mantida.
b. ( ) examinar detidamente as raízes socioeconômicas nas quais as ideias tiveram origem, isto é, trata-se de descobrir as leis fundamentais que definem a forma organizativa dos homens em sociedade para, assim, identificar as teses verdadeiras.
c. ( ) dialogar longamente utilizando técnicas de persuasão ou convencimento - retóricas - com o objetivo de convencer a audiência da veracidade dos argumentos.
d. ( ) estimular o processo de proliferação de ideias férteis através do mecanismo tese (primeira afirmação sobre o ser) - antítese (a negação da afirmação precedente) - síntese (a negação da negação, momento no qual tese e antítese aparecem reformuladas).
e. ( ) defender que a prática da atividade filosófica não pode prescindir da prática do diálogo e que somente através dele seria possível entender a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação.?

4. Segundo Platão, quatro formas ou graus de conhecimento poderiam ser identificados e distinguidos.
Assinale a alternativa onde as quatro formas aparecem hierarquicamente ordenadas.
a. ( ) opinião, intuição intelectual ,crença e raciocínio.
b. ( ) intuição, crença, opinião justificada e raciocínio.
c. ( X ) crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual.
d. ( ) crença, crença justificada, raciocínio primitivo e raciocínio fundamentado.
e. ( ) crença, opinião justificada, raciocínio e argumento.

5. A primeira classificação geral das ciências foi realizada por Aristóteles, que as dividiu hierarquicamente em três grupos.
Assinale a alternativa que ordena corretamente os tipos, obedecendo ao critério da superioridade-inferioridade:
a. ( ) teoréticas (ou contemplativas), aplicadas (relativas à aplicação prática) e lógicas (relativas às regras do correto raciocínio).
b. ( ) teoréticas puras (ou naturais), teoréticas aplicadas (ou sociais) e páticas (ou da ação humana).
c. ( ) lógicas (relativas às regras do correto raciocínio), teoréticas (ou contemplativas) e práticas (ou da ação humana).
d. ( X ) teoréticas (ou contemplativas), práticas (ou da ação humana) e produtivas (ou relativas à fabricação e às técnicas).
e. ( ) lógicas (relativas às regras do correto raciocínio), teoréticas (ou contemplativas) e instrumentais (relativas à fabricação de instrumentos).

6. Leia o argumento abaixo.
- Todos os animais são mortais.
- Alguns répteis são animais.
- Alguns répteis são mortais.
Assinale a alternativa que indica se o argumento é um silogismo válido ou inválido e, se for este o caso, qual regra violou.
a. ( X ) Este é um silogismo que atendeu às regras da validade silogística.
b. ( ) O argumento anterior é um silogismo inválido porque o termo "mortais" está distribuído na conclusão, mas não na premissa.
c. ( ) Este silogismo é inválido porque tem duas premissas particulares.
d. ( ) Este silogismo é inválido, porque o termo médio nunca está distribuído, pois em ambas as premissas é predicado.
e. ( ) Este silogismo é inválido porque a conclusão é particular, mas uma das premissas é universal.

8. Existem certas características básicas que diferenciam os argumentos dedutivos dos indutivos.
Analise as características abaixo:
1. A conclusão encerra informação que nem implicitamente estava contida nas premissas.
2. Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será, necessariamente.
3. Toda a informação ou conteúdo factual da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, contido nas premissas.
4. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente - porém não necessariamente - verdadeira.
Assinale a alternativa que relaciona corretamente as características acima ao respectivo tipo de argumento.
a. ( ) 1. dedutivo; 2. dedutivo; 3. indutivo; 4. indutivo.
b. ( ) 1. dedutivo; 2. indutivo; 3. indutivo; 4. dedutivo.
c. ( ) 1. dedutivo; 2. indutivo; 3. dedutivo; 4. indutivo.
d. ( X ) 1. indutivo; 2. dedutivo; 3. dedutivo; 4. indutivo.
e. ( ) 1. indutivo; 2. indutivo; 3. dedutivo; 4. dedutivo.

9. Um silogismo é considerado válido apenas se satisfizer todas as regras da validade silogística.
Assinale a alternativa que não corresponde a uma regra silogística.
a. ( ) Um silogismo deve ter exatamente três termos: um termo maior, um menor e um médio.
b. ( ) O termo médio deve aparecer nas duas premissas e jamais na conclusão.
c. ( ) A conclusão não pode conter o termo médio, já que a função deste se esgota na ligação entre os termos maior e menor.
d. ( ) De duas premissas particulares nada poderá ser concluído, pois o termo médio não terá sido tomado em toda a sua extensão.
e. ( X ) O termo médio não pode ser tomado em toda a sua extensão nenhuma vez, caso contrário ele não poderia fazer a ligação entre o maior e o menor.

10. Teste a validade do argumento seguinte, utilizando tabelas de verdade.
- O livre-arbítrio é possível ou somos joguetes dos Deuses.
- Se o livre-arbítrio for possível, não somos joguetes dos Deuses.
- Logo, não somos joguetes dos Deuses.
Seja:
P = O livre arbítrio é possível e
Q = Somos joguetes dos Deuses
Assinale a alternativa correta.
a. ( ) A forma dada é inválida porque tanto na circunstância em que P é falsa e Q verdadeira como na circunstância em que tanto P como Q são falsas, a premissa é verdadeira e a conclusão, falsa.
b. ( ) A forma dada é válida, tendo em vista que não há circunstância alguma na qual as premissas sejam verdadeiras e a conclusão, falsa.
c. ( X ) O argumento dado é inválido porque na circunstância em que P é falsa e Q verdadeira, as premissas são verdadeiras e a conclusão, falsa.
d. ( ) O argumento dado é inválido porque na circunstância em que Q é falsa e P é verdadeira, as premissas são verdadeiras e a conclusão, falsa.
e. ( ) O argumento dado é inválido porque na circunstância em que Q e P são ambas falsas, as premissas são verdadeiras e a conclusão, falsa.

13. Analise as afirmativas abaixo, com relação aos conceitos de validade, contradição, contingência e satisfatibilidade:

1. Diz-se que uma fórmula A é logicamente válida (ou logicamente verdadeira) se e somente se é verdadeira para todas as interpretações.
2. Uma fórmula A é contraditória (ou logicamente falsa) se e somente se é falsa para qualquer interpretação, ou se e somente se sua negação for logicamente válida.
3. Uma fórmula A é contingente se e somente se ela for verdadeira para algumas interpretações e falsa para outras.
4. Uma fórmula é satisfatível se existe pelo menos uma interpretação, tal que haja uma sequência s de elementos do domínio da interpretação que satisfaça a fórmula dada.
5. Como todas as tautologias são fórmulas válidas, necessariamente teremos que todas as fórmulas válidas precisam ser consideradas tautologias.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 5.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 5.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
d. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 5.
e. ( X ) São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.

14. Com relação à lógica dita clássica, é incorreto afirmar:
a. ( ) O objeto da lógica é a proposição, que é a expressão dos juízos formulados pela razão humana.
b. ( X ) A lógica estuda e define as regras do raciocínio correto, porém não é de sua competência estabelecer os princípios que as proposições devem seguir.
c. ( ) Quando se atribui um predicado a um sujeito, temos uma proposição.
d. ( ) O raciocínio lógico se expressa através de proposições conectadas, e essa conexão chama-se silogismo.
e. ( ) Existem determinados princípios que toda proposição e todo silogismo devem seguir para serem considerados verdadeiros.

15. Assinale a alternativa que indica as 3 leis básicas da lógica hoje dita aristotélica.
a. ( X ) lei da identidade (A=A), lei da não-contradição - nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo - e a lei do terceiro excluído, segundo a qual A é A ou não é A.
b. ( ) lei da não-contradição - nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo -, a lei do terceiro excluído, segundo a qual A é A ou não é A, e lei da razão suficiente: tudo o que existe tem a sua razão de ser.
c. ( ) lei da identidade (A=A), lei da razão suficiente: tudo o que existe tem a sua razão de ser, e a lei de bivalência, segundo a qual para toda proposição, ela ou a sua negação precisa ser verdadeira.
d. ( ) lei de bivalência, segundo a qual para toda proposição, ela ou a sua negação precisa ser verdadeira, a lei da não-contradição - nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo -, e a lei da causalidade, segundo a qual tudo que ocorre tem uma causa.
e. ( ) lei da não-contradição - nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, a lei da causalidade, segundo a qual tudo que ocorre tem uma causa, e lei do terceiro excluído, segundo a qual A é A ou não é A.

20. É sabido que várias lógicas modernas ditas não clássicas, ou "heterodoxas" violam algumas das três leis da lógica clássica.
A esse respeito, analise as afirmativas abaixo.
1. Tanto as lógicas paraconsistentes quanto as intuicionistas violam o princípio da razão suficiente.
2. As lógicas paraconsistentes violam a lei da não-contradição.
3. As lógicas intuicionistas violam a lei do terceiro excluído e o princípio da identidade.
4. Lógicas não reflexivas são aquelas lógicas heterodoxas para as quais não vale a lei da identidade. Este é o caso, por exemplo, da lógica quântica.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.
d. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 2 e 4.
e. ( ) São corretas apenas as afirmativas 3 e 4.

21. Com relação à lógica paraconsistente em comparação com a lógica clássica, podemos afirmar:
1. Toda teoria dedutiva (T) baseada na lógica clássica é inconsistente se, e somente se, é trivial.
2. Uma lógica é dita paraconsistente, se pode ser usada como a lógica subjacente para teorias inconsistentes e triviais, que são chamadas teorias paraconsistentes.
3. Historicamente, o pensamento paraconsistente começa no ocidente com Heráclito de Éfeso. Desde então diversos filósofos (dentre os quais podemos citar Hegel e Marx) têm argumentado que as contradições são fundamentais para a compreensão da realidade.
4. Alguns dos campos mais férteis de aplicações da lógica paraconsistente são o da ciência da computação, da engenharia, da medicina, por exemplo.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
d. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
e. ( ) São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.

22. Se há um ponto de consenso entre os filósofos e historiadores da lógica, este é a posição eminente que goza Gottlob Frege (1848-1925). Frege é tido como um dos maiores lógicos da modernidade e, indubitavelmente, aquele que mais colaborou para o avanço no campo da lógica matemática.
Sobre suas contribuições, é incorreto afirmar:
a. ( ) Em seu pequeno livro Begriffsschrift aparece pela primeira vez o desenvolvimento axiomático inteiramente formalizado do cálculo sentencial, consistente e completo.
b. ( ) Uma das várias contribuições importantes de Frege abrange também a quantificação de predicados ou de variáveis de classe.
c. ( ) Sua descoberta notável consistiu em mostrar que a aritmética, e com ela boa parte da matemática, podiam ser sistematizadas a partir da lógica.
d. ( ) Frege, ao introduzir quantificadores, axiomas e regras em seu sistema formal, acaba por obter um sistema de cálculo de predicados de primeira ordem, que é completo.
e. ( X ) O trabalho de Frege foi muito bem recebido pelos matemáticos da época, que costumavam cometer muitos erros em suas demonstrações e por isso encontraram na sistematização do raciocino matemático um grande auxílio.

23. Em sua obra Crítica da Razão Pura, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) compara a revolução copernicana com a mudança operada por ele próprio na relação entre sujeito e objeto no processo cognitivo.
Analise as afirmativas abaixo sobre essa "revolução", que Kant teria causado na filosofia.
1. Tanto racionalistas quanto empiristas concentravam-se em questões referentes aos objetos do conhecimento. Kant inverte os termos e coloca a própria razão humana no centro, como ponto de partida do questionamento.
2. Em resposta à controvérsia entre racionalistas e empiristas, que tomavam como centro de suas argumentações a própria razão humana, Kant revoluciona a filosofia tomando como ponto de partida a realidade exterior.
3. O que Kant defendia é que o sujeito possui as condições de possibilidade de conhecer qualquer coisa, ou seja, possui as "regras" através das quais os objetos podem ser reconhecidos.
4. O que o homem pode conhecer é profundamente marcado pela maneira - humana - pela qual conhecemos.
5. As leis do conhecimento, para Kant, estariam nos objetos do mundo, e não no próprio homem.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2 e 5.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
d. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
e. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.?

24. Durante o século XVIII, quando viveu Kant, o debate em teoria do conhecimento estava dividido entre o empirismo e o racionalismo.
Analise as afirmativas abaixo, a respeito da crítica e da posição kantianas nessa disputa.
1. Para Kant, a ciência é constituída por juízos sintéticos a priori, isto é, por juízos universais nos quais o predicado exprime algo de novo, já contido no sujeito.
2. Racionalistas erraram, segundo a crítica kantiana, pois acreditavam que o conhecimento científico consistiria em juízos sintéticos a posteriori.
3. As concepções empiristas acerca da ciência estariam equivocadas ao identificá-la com os juízos analíticos a priori.
4. Para Kant, o conhecimento não é fruto nem do sujeito, nem do objeto, mas sim da síntese da ação combinada entre ambos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
b. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2 e 4.
d. ( ) São corretas apenas as afirmativas 3 e 4.
e. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.

25. Kant mostrou que a estrutura do pensamento se dá sob a forma de juízos. A partir dessa hipótese, elaborou as doze formas de juízos possíveis, que segundo ele estariam na base de todo processo de entendimento. Essas formas de juízos se classificariam em quatro grupos. Além disso, os juízos também são classificados em três espécies.
Assinale a alternativa incorreta no tocante a estas subdivisões.
a. ( X ) Segundo a Qualidade, os juízos seriam Positivos, Negativos ou Neutros.
b. ( ) Quanto à Relação, podem ser Categóricos, Hipotéticos ou Disjuntivos.
c. ( ) Quanto à Espécie, os juízos seriam analíticos, sintéticos a priori e a posteriori.
d. ( ) De acordo com a Quantidade, os juízos podem ser Universais, Particulares ou Singulares.
e. ( ) Quanto à Modalidade, Possíveis (Problemáticos), Reais (Assertórios) ou Necessários (Apodíticos).

26. O falseacionismo foi uma proposta de demarcação científica inovadora em vários aspectos.
Segundo o critério popperiano, é incorreto afirmar:
a. ( ) Resumidamente, o que define o estatuto de cientificidade de uma teoria é a sua capacidade de ser testada e, consequentemente, falseada.
b. ( ) Logicamente, pode-se dizer que o ponto de ruptura entre o critério popperiano e o da concepção herdada baseia-se no fato de que o modus ponens é mais fraco do que o modus tollens.
c. ( X ) A teoria psicanalítica de Freud poderá ou não ser classificada como científica, dependendo de sua capacidade de explicar e prever os casos a que se refere.
d. ( ) Em sua formulação original, o marxismo era uma teoria científica; isto é, fazia previsões testáveis como, por exemplo, a da "revolução social vindoura".
e. ( ) Segundo Popper, podem existir teorias puramente tautológicas - ou não empíricas - (como a lógica e a matemática) que também se coadunam com o falseacionismo.

27. Considere a epistemologia popperiana e seu posicionamento acerca da possibilidade de progresso na ciência e analise as afirmativas abaixo.
1. Popper insistiu que, através de testes severos das teorias, os cientistas levam a cabo um processo racional de aproximação da verdade, aumentando de forma progressiva o conhecimento.
2. Sobre progresso científico Popper manteve teses evolucionistas, no seguinte sentido: as melhores teorias são as que vão sendo validadas ao longo da história, por meio da verificação empírica.
3. Preferimos uma teoria à outra, em última instância, porque é mais verossímil, ainda que nunca possamos demonstrar de uma teoria que ela é verdadeira.
4. Não se pode afirmar que Popper acreditasse no progresso cumulativo do conhecimento, pois ao romper com o racionalismo de Descartes e Leibniz, ele defendeu veementemente que não existe método de verificação científica.
5. O aumento do conteúdo empírico das teorias, e o fato de as novas teorias terem de explicar também o que as anteriores explicavam levaram Popper a conceber o progresso científico como uma paulatina aproximação da verdade.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
c. ( ) São corretas apenas as afirmativas 3 e 4.
d. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 5.
e. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.

28. O esquema analítico kuhniano (desenvolvido fundamentalmente em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas) defende que a evolução da ciência ocorreria através de uma sucessão de períodos de "ciência normal" esporadicamente rompidos por "revoluções científicas".
Sobre a noção de "paradigma" e seus problemas, é incorreto afirmar:
a. ( ) No pós-escrito à segunda edição de sua obra, Kuhn reconhece ter formulado o conceito de paradigma de maneira ambígua, o reformula e passa a denominá-lo "matriz disciplinar".
b. ( ) É possível entender o conceito de paradigma num sentido global, sociológico, que determina o conjunto de crenças e métodos compartilhados pela comunidade científica.
c. ( ) Em um sentido estrito, o paradigma deve ser entendido como a constelação de exemplos clássicos, compartilhados e aceitos sem questionamentos pela comunidade - os "exemplares".
d. ( ) Somente a consolidação de um paradigma pode caracterizar o empreendimento de uma comunidade como sendo científico. E é o estudo dentro do paradigma constituído o que capacitará o estudioso de uma ciência a se integrar numa comunidade científica.
e. ( X ) Segundo Kuhn, a ciência seria o único empreendimento humano que promoveria um acúmulo crescente e linear do conhecimento humano. Acerca desta questão ele não divergia de Popper.

29. Analise o texto abaixo:
"[...] nem a ciência nem o desenvolvimento do conhecimento têm probabilidades de ser compreendidos se a pesquisa [for] vista apenas através das revoluções que produz de vez em quando"(...) "Um olhar cuidadoso dirigido à atividade científica dá a entender que é a ciência normal,onde não ocorrem os tipos de testes de Sir Karl, e não a ciência extraordinária que quase sempre distingue a ciência de outras atividades. A existir um critério de demarcação (entendo que não devemos procurar um critério nítido nem decisivo), só pode estar na parte da ciência que Sir Karl ignora."
Kuhn, "Reflexões sobre meus críticos". In: Lakatos, I.; Musgrave, A. (orgs.), A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Cultrix,1979, p. 11.
Identifique as afirmativas abaixo como verdadeiras ( V ) ou falsas ( F ).
A famosa polêmica Popper-Kuhn, brevemente ilustrada no trecho acima, teve como alguns de seus pontos-chave:
( ) Numa situação de crise, a disputa entre o paradigma até então dominante e o candidato a novo não pode ser decidida por critérios unicamente racionais, como queria Popper. Para Kuhn, a substituição da antiga pela nova abordagem assume a natureza de uma conversão quase que religiosa, envolvendo uma mudança-Gestalt.
( ) Em termos kuhnianos, poder-se-ia dizer que Popper entendia e procurava explicar a ciência como um empreendimento em eterna "revolução", o que estaria em total desacordo com o que de fato teria ocorrido nos episódios mais marcantes da história da ciência.
( ) Um dos pontos mais polêmicos da proposta kuhniana foi o fato de ele não ter se preocupado em estabelecer, à risca, uma linha fronteiriça entre ciência e não ciência. Para ele existiriam, no âmago da própria ciência, elementos que são claramente sociológicos, como autoridade, hierarquia e grupos de referência.
( ) A tendência a preservar teorias e torná-las imunes à crítica, que Popper relutantemente aceita como sendo um afastamento da ciência de prática superior, torna-se a norma do comportamento do cientista, na proposta de Kuhn.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
a. ( X ) V - V - V - V
b. ( ) V - V - F - F
c. ( ) V - F - V - F
d. ( ) F - V - F - V
e. ( ) F - F - V - V

30. A despeito do fato de nunca ter recebido nenhum treinamento formal em História, Thomas Kuhn conseguiu com seu livro transformar radicalmente tanto a história quanto a filosofia da ciência do século XX. Por isso, não é incomum que sua obra seja considerada como "revolucionária".
Com relação ao antes e depois dessa "revolução kuhniana" na Epistemologia, podemos afirmar:
1. Antes de A Estrutura, tanto o filósofo alemão Rudolf Carnap - um dos mais eminentes membros do Círculo de Viena - quanto Karl Popper afirmavam que o progresso e o êxito da ciência são decorrentes da aquisição de um método próprio, rigoroso, válido para todas as ciências e aplicável independentemente das contingências históricas e culturais.
2. A metodologia do falseacionismo popperiano é evidentemente normativa; ou seja, prescreve o que deve ser a boa prática científica. Esse é mais um ponto de continuidade entre a versão herdada e a concepção de Popper, com o qual Kuhn romperá drasticamente.
3. Seguindo a trilha aberta por Thomas Kuhn, surgiu toda uma tradição de pesquisa que ficou conhecida como a Nova Filosofia da Ciência, reunindo nomes como Karin Knorr-Cetina, Bruno Latour e Steve Woolgar.
4. Depois de Kuhn, ficou patente que a distinção entre linguagem observacional e linguagem teórica não era tão clara quanto se imaginava. Uma das razões para isso é a chamada "impregnação das teorias pelas evidências".
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.
b. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
c. ( X ) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
d. ( ) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
e. ( ) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.

3 comentários:

Sidney Nunes disse...

Valeu, me ajudou muito!

César Neves disse...

Boa quantidade ede exercícios. Sucesso.

cleide benac disse...

Temas diversificados e com gabarito. Muito bom!!!
Obrigada.
Cleide